​Transformar barro em arte é o ofício de Liu Filho

Em Simão Dias, Mestre Liu além de produzir arte, ensina sua técnica para 500 crianças da rede pública municipal

Foto: Ednilson Barbosa

Por Ednilson Barbosa

O barro se humaniza em figuras com alma regional. Esculturas moldadas em barro com traços expressivos retratam figuras regionais como cangaceiros, vaqueiros e rendeiras, estão presentes no artesanato de barro de Rosemberg Silva Batista, ou “Mestre Liu Filho”, como é conhecido. Ele conta que herdou de seu pai Liu o talento especial em transformar a argila em obra de arte e agora faz questão de repassar para crianças de escolas públicas de seu município.

Nascido em Simão Dias, Liu Filho, 38 anos, relata que percebeu o gosto em moldar o barro ainda criança com oito anos de idade e carrega com orgulho do fato de ter aprendido com o pai, senhor Uilton Batista. “Meu pai foi meu grande mestre. No início não me deixava mexer no barro, dizendo que eu só queria brincar, mas certo dia ao voltar da casa de minha avó ele me pegou com a mão na massa fazendo um boi – minha primeira peça foi esse boi de barro com as pernas tortas, foi ai que ele disse: esse ai é da raiz, tem talento. A partir daí ele passou a me ensinar muitas coisas”, disse Liu Filho.

A arte de Mestre Liu Filho | Foto: Ednilson Barbosa

Desde 1994 o artesão trabalha em um ateliê improvisado nos fundos da casa de sua mãe na periferia de Simão Dias. Dali tira para o próprio sustento com suas peças que já estão espalhadas por todo o país. A característica principal de suas obras é a expressão humana com características regionais como cangaceiros, vaqueiros e rendeiras retirantes, vendedores, músicos, animais. Enfim tudo o que é possível reproduzir na argila.

“Minha inspiração vem das figuras que caracterizam o nordestino e que retratam as personagens de nosso município de Simão Dias. Como quando vejo um burrinho carregado um feixe de lenha, um homem de chapéu carregando uma enxada, usando camisa vermelha e calça azul queimada do sol e calçando alpercatas de couro. Ou ainda um pescador com uma cesta de peixe na cabeça. Estas imagens ficam na minha mente as transformo em figura de barro. Ultimamente tenho feito o sapateiro tentando retratar uma profissão muito comum no passado da cidade de Simão Dias, mas quase extinta nos dias atuais. É uma homenagem ao pai de um amigo e a todos os sapateiros da cidade” explica Liu. Ele diz que atualmente está trabalhando para atender as encomendas e as figuras mais pedidas são o vaqueiro, Lampião e Luiz Gonzaga.

Trabalho educativo

O artesanato de Mestre Liu pode ser adquirido, em Aracaju, na Secretaria de Estado da Agricultura, telefone 3179-4550/4551 ou em Simão Dias com o próprio artesão pelo telefone 99887-1785 | Foto: Ednilson Barbosa

Além do talento de moldar o barro, Mestre Liu também tem a sensibilidade e a satisfação de repassar para crianças tudo o que sabe a técnica do artesanato com argila. Ele ensina sua técnica de moldar o barro para 500 crianças em cinco escolas municipais da zona rural de Simão Dias. O trabalho faz parte de um projeto da prefeitura de levar grupos culturais locais para mediar o processo educativo.

“Liu filho foi contemplado com esse projeto da prefeitura para divulgar sua arte e desenvolver com as crianças o trabalho artesanal que retrata a história do município. É uma forma de ajudar no processo de aprendizagem e de respeitar e valorizar aqueles que fizeram parte da nossa história. São símbolos de nossa região como o vaqueiro, Lampião e Maria Bonita, Antônio Conselheiro, entre outros”, disse Daiane Santana, pedagoga e representante do departamento de Cultura e Sociologia da Prefeitura de Simão Dias.

“Minha inspiração vem das figuras que caracterizam o nordestino e que retratam as personagens de nosso município de Simão Dias” | Foto: Ednilson Barbosa

A pedagoga explica que a formação cognitiva da criança se dá a partir do tato. “A partir do contato com a massa, a criança cria linguagens e entendimentos. Liu traz algumas habilidades que favorecem criar histórias, trazer uma história de casa, querer reproduzir aquilo que ela aprendeu na escola. Então, com o manuseio da massa fica mais fácil o processo de cognição ou da aprendizagem”.

“Sinto-me satisfeito com esse trabalho com as crianças. Quero mostrar para meus filhos e para os alunos das escolas o que meu pai deixou, e o que tem de bom em nossa cidade. Para mim é um sonho realizado”, conclui Liu.

O artesanato de Mestre Liu pode ser adquirido, em Aracaju, na Secretaria de Estado da Agricultura, telefone 3179-4550/4551 ou em Simão Dias com o próprio artesão pelo telefone 99887-1785.

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