08 de julho é o dia da emancipação do nosso amado Sergipe. Data especial para todos nós sergipanos. Diante disso, a Expressão Sergipana preparou uma listinha exclusiva para os nossos leitores com 10 bens de Sergipe para comemorarmos e valorizamos nessa data tão singular. É claro que não pretendemos consenso entre os colaboradores e leitores, pois seria impossível diante de tamanha riqueza cultural, paisagística, ambiental, material e imaterial que nosso pequeno Sergipe tem. Vamos lá???

1º) Centro Histórico de São Cristóvão

São aproximadamente 20 Km de distância de Aracaju para a cidade que foi a primeira capital do estado. São Cristóvão foi fundada em 1590 e é a cidade mais antiga de Sergipe e está entre as mais antigas do Brasil e das Américas. Dividida entre cidade baixa e alta, é nesta última onde encontramos grande parte do conjunto arquitetônico que dá a cidade tamanha importância em âmbito internacional. A principal destas obras é o complexo da Praça São Francisco que foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1967 e, em 2010, foi reconhecida como Patrimônio da Humanidade, chancela recebida pela UNESCO. Além da importância do patrimônio material, a cidade é cenário e sede de muitas manifestações culturais e religiosas. Vale a pena andar pelas ruas seculares desde canto de Sergipe e se deliciar com as queijadas e bricelets.

2º) Cânion do Xingó

O Cânion do Xingó, na tríplice fronteira (Bahia, Sergipe e Alagoas), surgiu após o represamento das águas do Rio São Francisco para a construção da Usina Hidrelétrica do Xingó (inaugurada em 1994), na divisa entre Alagoas e Sergipe. Hoje é um dos principais bens de Sergipe e foi cenário para várias produções cinematográficas e dramatúrgicas. Vale a pena mergulhar no verde esmeralda do lago Cânion de Xingó.

Foto: Legacy600

 

3º) Festa de Lambe-Sujo e Caboclinhos

Dos livros de história do ensino fundamental às páginas dos folhetins globais, a história de um Brasil que colocou de um lado os índios e do outro os negros, aqui ganha novos ares. Uma luta, mas com um tom de ludicidade artística, simplesmente bela, que o fato histórico merece ter. No município de Laranjeiras, na região da Cotinguiba, o Lambe-Sujo e os Caboclinhos é considerado a maior manifestação de teatro espontâneo ao ar livre do mundo. Então venha se melar de cabaú e participar desta festa popular.

Foto: Maurício Pisani / El País

4º) Orla de Atalaia

A Orla de Atalaia é um dos mais belos cartões postais de Aracaju. Considerada o maior centro de entretenimento de Sergipe, a Orla é o conjunto paisagístico que além da extensa praia, hotéis, restaurantes e bares, tem uma infraestrutura de lazer completa com quadras de tênis, 04 campos de futebol, quadras polivalentes e de areia, a maior pista de skate pública do Nordeste, ciclovia, parede de escaladas com 03 faces, a cidade da criança, áreas para piqueniques, lagos para canoagem e pedalinhos, uma Praça de Eventos JK com mais de 24.000 m², kartódromo, pista de Motocross, pista de cooper, monumentos de diversos significados, arcos, Centro de Cultura e Artesanato e o Oceanário do Projeto Tamar. Tudo isso esperando você conhecer e curtir é claro! A Orla engloba 4 praias, são elas: Artistas, Hawaizinho, Atalaia e Cinelândia. São 3 quilômetros e 500 metros de pura diversão.

Foto: Turismosergipe.net

5º) Macaco-guigó

Tristeza, mas o Callicebus Coimbrai é mais uma espécie à beira da extinção no planeta, pois, o Macaco-guigó só encontrado no Norte da Bahia e no resto da Mata Atlântica sergipana, em especial na Mata do Junco em Capela. Uma das razões para o macaco está na lista de espécies ameaçadas de extinção é a degradação do seu habitat. Este pequeno primata, que pesa entre um e dois quilos na fase adulta, foi descoberto por pesquisadores em 1999 e também é conhecido por guigó-de-coimbra-filho. Apesar da recente identificação, seu estado de conservação, de acordo com ICMBio, é crítico. Dos 125 fragmentos de mata em que foi registrado, em 14 já é considerado extinto. A vocalização potente é uma das características marcantes desta espécie. Os “gritos” são emitidos pelo casal dominante do grupo, geralmente logo ao amanhecer. Os sons têm a função de demarcar o território. Vamos valorizar e proteger este primata da fauna sergipana.

Foto: Eduardo Lacerda / TG

6º) Barco de Fogo

Este bem cultural tem origem datada do início do século XX, criado por Chico Surdo. E se o barco de fogo não funciona sem as Espadas, a maior tradição de Estância na área de fogos é ela, onde o barco de fogo está ligado diretamente. O Poder Público Estadual reconhece o Barco de Fogo como patrimônio cultural do povo sergipano, através da Lei 7.690. O dia 11 de junho é considerado como o Dia do Barco de Fogo, data de nascimento de seu criador, Chico Surdo, e, faz parte do calendário cultural do município de Estância.

Barco de Fogo cortando o céu | Foto: Cassandra Teodoro

7º) Parafusos

Grupo formado por homens vestidos de anáguas de renda completamente branca, eles realizam movimentos em 360º sobre si mesmos, no sentido horário e anti-horário, e dessa forma parecendo a “volta” de um parafuso. Esse grupo retrata a fuga dos escravos para os quilombos. Ao passarem pelas vilas, eles roubavam anáguas de linho com babados das senhorinhas. Depois de serem libertados, desfilavam pelas ruas da cidade com as vestes. Além desta versão, há outra envolvendo um clérigo, fora as inúmeras pesquisas acadêmicas sobre o grupo e sua origem. Vale a pena assistir a apresentação do grupo e ver a força da resistência negra em Sergipe.

Foto: Turismosergipe.net

8º) Caranguejo

O caranguejo-uçá em Sergipe é rei. Pois não só ele, mas outros crustáceos estão presentes na mesa dos sergipanos, na cultura. Originário em um dos biomas sergipanos é uma espécie em risco de extinção. Uma das razões é a falta de respeito com o período de defeso e a degradação dos mangues do nosso estado. Precisamos valorizar e cuidar desse bem, pois as próximas gerações precisam ter a oportunidade de comer um bom caranguejo na Passarela do Caranguejo ou na casa de um sergipano.

Foto: Divulgação

9º) Parque Nacional da Serra de Itabaiana

O nosso Parque da Serra de Itabaiana é uma unidade de conservação situada no município de Areia Branca, abrangendo ainda áreas dos municípios de Laranjeiras, Itabaiana, Itaporanga d’Ajuda e Campo do Brito. Com uma área de 8.024,79 hectares localizado no agreste do estado conta com serras, cachoeiras, poços, grutas e rios, e é muito indicado para quem gosta de ecoturismo, admirar a natureza e praticar esportes radicais. Em Itabaiana é possível encontrar diversos roteiros de ecoturismo. A Serra de Itabaiana possui muitas espécies de plantas, trilhas, faunas, além do Poço das Moças. E aproveitar esse bem para ter contato com a natureza não tem coisa melhor.

Com área de 7.966 hectares e altitude máxima de aproximadamente 620 metros, o Parque Nacional Serra de Itabaiana (Parnasi) compreende os municípios de Itabaiana, Areia Branca, Campo do Brito, Itaporanga D’Ajuda e Laranjeiras | Foto: Portal UFS

10º) Amendoim Cozido

O amendoim cozido é um patrimônio de Sergipe em razão do seu modo de preparo, mais especificamente o seu cozimento e secagem. Vamos encontrar amendoins cozidos em outros estados e inclusive na nossa querida Bahia, porém o modo e o porquê do cozimento é diferente. O costume aqui em Sergipe é tão forte que não só comemos no São João, comemos em qualquer momento de festividade que combine com as baguinhas deliciosas cozidas, na praia então, o que não falta é amendoim para comprar e comer. A forma como o amendoim é comercializado em Sergipe é autêntica – cozido em água, limão e sal -, por isso, o alimento típico do estado. A partir de uma lei de iniciativa da deputada Ana Lúcia, passa a ser reconhecido oficialmente como Patrimônio Imaterial de Sergipe, por meio da lei 7.682/20013.

Foto: César de Oliveira

Além desses 10, nosso amado Sergipe tem inúmeros bens patrimoniais que precisamos conhecer, valorizar, preservar e nos orgulharmos.

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Discente de História na Universidade Federal de Sergipe. Estagiou no Museu do Homem Sergipano e na Biblioteca Pública Epifânio Dória

4 COMENTÁRIOS

  1. Difícil fazer escolha de apenas dez: faltaram aí a carne do sol, a renda, o vocabulário (a palavra amigueiro, por exemplo, é ímpar) etc. Mas essas dez são muito legais!

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