Desde 13 de março de 2015, uma série de grandes atos vinham sendo construídos pelos sindicatos, movimentos populares e demais organizações políticas que vieram conformar a Frente Brasil Popular. À época, lutava-se contra o golpe planejado pela burguesia contra o governo Dilma e era reivindicado que o governo não cedesse às pressões golpistas pelo ajuste fiscal, contrapondo a ele medidas econômicas e uma plataforma política que cortassem não da carne do trabalhador, mas dos grandes ricos desse país desigual.

Contudo, os trabalhadores ainda não tinham ido de forma massiva às ruas, em que pese a participação das maiores centrais sindicais em todos os atos. Uma série de fatores explicam essa conduta, como a atuação ostensiva da grande mídia para confundir o trabalhador – sem deixa-lo compreender que o golpe era operado contra si –; a campanha de difamação contra a Política que, aproveitando-se em diversos momentos da seletividade da Lava Jato, colocou no mesmo balaio os verdadeiros corruptos e as representações do povo brasileiro; e o inegável erro tático do governo de ter cedido ao ajuste fiscal, embora Dilma tenha lutado bravamente contra o impeachment nas últimas semanas.

Vem se tornando cada vez mais difícil para a grande mídia – controlada pela burguesia – esconder qual a natureza daquele golpe operado em 2016. Com Temer no governo, foi aprovado o projeto de terceirização geral e irrestrita, as riquezas do pré-sal foram entregues às multinacionais a preço de banana, foi aprovado o congelamento dos investimentos sociais por 20 anos, uma série de programas sociais sofreram cortes e agora eles querem acabar com nossos direitos trabalhistas e previdenciários.

O jogo começou a virar nos atos do dia 08 e 15 de março de 2017. As mulheres e os professores, respectivamente, protagonizaram nessas datas a construção de atos junto a Frente Brasil Popular que foram capazes de reascender a classe trabalhadora em todo o país. Estava aberto o caminho pra uma grande Greve Geral no Brasil.

No dia 28 de abril, o Brasil parou contra as Reformas da Previdência e Trabalhista e as terceirizações. Todas as centrais sindicais se uniram à Frente. O movimento grevista percorreu as capitais, as grandes, médias e pequenas cidades. Ônibus, metro e avião não funcionaram regularmente. Mais de 35 milhões de trabalhadores aderiram à greve geral no país.

Dória, prefeito de São Paulo e forte defensor das medidas do governo Temer, tinha dito na véspera da greve que, já que não poderiam acessar o transporte público, ofereceria uber aos servidores municipais, mas estes também declararam greve. Restou ao desmoralizado prefeito dizer, usando sua régua pra medir os outros, que os manifestantes receberam R$ 100,00 reais para ir às ruas, o que lhe rendeu uma série de críticas nas redes sociais.

Em Sergipe, a SETRANSP – Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Aracaju – e a FECOMERCIO – Federação do Comércio do Estado de Sergipe – provocavam os trabalhadores sergipanos afirmando que os ônibus e o comércio funcionariam regularmente. Mas já na madrugada do dia 28 foram organizados atos nos portões das maiores empresas de transporte, expressivamente apoiados pelos motoristas e cobradores. Nenhum ônibus circulou. No centro comercial, os próprios comerciários denunciavam quando um patrão obrigava o trabalhador a abrir sua loja e os manifestantes iam em bloco reivindicar o fechamento. O comércio de Aracaju permaneceu fechado.

Alguns prefeitos dos municípios sergipanos resolveram aderir e declararam que não cortariam o ponto dos servidores grevistas. Nos bairros da capital e em todas as regiões do estado, os movimentos populares organizaram o fechamento de ruas, avenidas e estradas em protesto às reformas de Temer. O povo aplaudiu todas as ações e a greve geral foi um sucesso. O Partido Rede Globo não mostrou, mas a manifestação da tarde do dia 28/04 em Aracaju superou os 30 mil das Diretas Já e os 40 mil das manifestações de Junho, somando 60 mil pessoas de todo o estado nas ruas, a maior da história de Sergipe.

A unidade entre a CUT, CTB, UGT, CSP-Conlutas, Nova Central e Força Sindical foi imprescindível para o resultado dessa greve. A popularidade de Temer despencou vertiginosamente e as Reformas da Previdência e Trabalhista estão prestes a cair. Está programado para meados de maio o lançamento pela Frente Brasil Popular de um Plano Popular de Emergência, construído através de uma série de debates em todos os estados. O plano apresenta propostas concretas de superação das crises política, econômica e social vividas pelo país e que se contrapõem às medidas neoliberais do governo ilegítimo Temer.

É certo que na parede da memória dos últimos dias, há um quadro que dói demais. Mas certamente Belchior, um autêntico lutador popular, está sorrindo a dizer: “Você não sente nem vê/Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo/Que uma nova mudança em breve vai acontecer…”

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