“O tempo é o maior tesouro de que um homem pode dispor; embora inconsumível, o tempo é o nosso melhor alimento […] pois só a justa medida do tempo dá a justa natureza das coisas” (Raduan Nassar)

O escritor Raduan Nassar protagonizou uma cena marcante nesta última semana, quando caracterizou a natureza do governo golpista de Michel Temer. Em uma sessão solene de premiação, o escritor dedicou uma agressão protocolar, que os gatunos ora governistas, não se esquecerão de ter passado.

A tônica arcaica que rodeia a atmosfera do governo Temer é a mesma que podemos exprimir do livro de Nassar, um forte embate entre o conservadorismo e a transgressão e nesse contexto nós queremos ser os intransigentes, os teimosos herdeiros dos que sempre contestaram a condição de excluídos num país como o Brasil.

Claro que as forças conservadoras que agora rugem apressadas em preparar o terreno para a acumulação capitalista, soube aproveitar bem os governos petistas, que mesmo estimulando a produção interna e o consumo aliado a construção de uma infraestrutura social, deixou muito espaço para a “Lavoura Arcaica” brasileira, que passeou na política econômica dúbia e praticamente especializou o país na exportação de commodities em detrimento da produção industrial.

Cada dia que passa fica mais claro que a agenda do golpe é retomar a plataforma ortodoxa do neoliberalismo que o PSDB não conseguiu instalar nos anos 90 e que agora é necessário fazê-lo da forma mais rápido possível e nada mais oportuno do que um governo refém de infinitas acusações de corrupção para que isso aconteça. Por isso a atenção da classe trabalhadora precisa estar voltada para as reformas que retirarão direitos em nome de um ajuste fiscal criminoso.

A movimentação golpista em torno da reforma da previdência é de taxá-la como deficitária e pretende igualar a condição de acesso entre os que vivem no campo e na cidade, na condição de 65 anos de idade, além de exigir para os camponeses 25 anos de contribuição prévia, ou seja, pretende-se acabar com a política social mais importante para os povos do campo e ver surgir novamente pobreza e fome em nosso meio rural. Não satisfeitos, os golpistas conservadores, insistem no debate da flexibilização das leis trabalhistas e vão em busca de emplacar a terceirização irrestrita nas atividades laborais, jogando o trabalhador em condição de profunda precarização.

Com a alegação de atrair investimentos, Temer deve acelerar o processo de entrega de terras aos estrangeiros em uma clara demonstração de desapego à soberania nacional, será um crime de lesa pátria, já que os ditos investidores poderão interferir diretamente em nossa economia com uma superprodução agrícola ou com a destruição de nossos recursos naturais.

Uma das poucas medidas que favoreceram a indústria brasileira no último período foi a política de conteúdo local, onde empresas como a Petrobras tinha o compromisso de consumir produtos brasileiros, mas também está ameaçada na falsa promessa de trazer investimentos estrangeiros.

Tudo vem sendo realizado em um cenário que camufla a recessão e o desemprego crescente, os verdadeiros responsáveis pela queda momentânea da inflação. Agora o governo de corruptos joga pra torcida a fim de tirar de si os holofotes gerados pela delação da Lava-Jato, para isso aumenta a faixa de valor dos imóveis que podem ser adquiridos com o FGTS, assim como libera o saque de contas inativas. Tudo isso prevendo uma movimentação da economia, mas o que nós prevemos é a justa medida do tempo que dá a justa natureza das coisas, insuflando os trabalhadores por um sonoro: FORA TEMER! DIRETAS JÁ!

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