Os acontecimentos das últimas semanas agitaram os noticiários e mobilizaram milhares de pessoas pelo país. A greve de fome de dez dias, protagonizada pelo Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), que se iniciou no dia 4 de dezembro, envolveu 40 militantes de diversos movimentos sociais de todo o Brasil e teve seu fim no dia 14 de dezembro.

Em Sergipe, quatro militantes do MPA ocuparam a Assembléia Legislativa de Sergipe e fizeram quatro dias de greve, recebendo o apoio da população sergipana, movimentos sociais e de autoridades como o Arcebispo de Aracaju Dom João José Costa. Somado a isso, nessa mesma semana ocorreram diversas mobilizações de rua organizadas por centrais sindicais e movimentos sociais.

Toda essa movimentação chamou a atenção para a votação da Reforma da Previdência que seria votada nessa mesma semana que, no entanto, a greve de fome empurrou a decisão da Reforma para o dia 19 de fevereiro.

O fato é que a greve de fome foi uma vitória dos trabalhadores e trabalhadoras que, representados pelos grevistas que se empenharam e arriscaram suas vidas numa atitude heroica, conseguiram que a votação fosse suspensa e com nova data de votação para o ano de 2018. Entre o apelo do sacrifício da fome e a negociata dos acordos entre Temer e deputados, venceu a coerência daqueles que lutam com e pelo povo.

Essa capacidade de influenciar na conjuntura acompanhou todo o ano de 2017 que, desde as mobilizações do dia 8 de março, vem denunciando as manobras que o governo golpista tem feito contra os direitos trabalhistas e previdenciários, ocupando as ruas e buscando o diálogo com a população para denunciar. Assim foram as tantas recepções nos aeroportos aos deputados estaduais que votaram com os golpistas, e as grandes e inúmeras marchas pelas ruas de Sergipe e do Brasil.

Estamos enfrentando uma crise que tem provocado descontentamento e decepção da população com a política, em todo momento novos fatos são descobertos. Mas, com a suspensão da votação da reforma da previdência teremos tempo de ensaiar momentos intensos de participação política pautados no exemplo de construção do poder popular e na necessidade de convocar a população para o desafio de unificar as forças populares para enfrentar esta crise que passamos no Brasil, com o avanço das forças neoliberais contra a nossa soberania nacional.

Certamente a vitoria pela suspensão da votação posiciona o povo brasileiro um passo à frente na luta por direitos e democracia. Isto é um alento para um ano de tantas perdas e ainda mede forças entre a mobilização social, que evitou uma trágica votação, e um sistema político falho e inoperante que não serve à classe trabalhadora. O ano de 2018 promete muitos desafios, mas as mobilizações em Sergipe e no Brasil serão ainda maiores.

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