Após despejo, famílias sem-teto ocupam Prefeitura de Malhador

Durante o início do despejo, a Prefeitura realizou o transporte dos móveis das famílias com o caminhão utilizado para recolher lixo e animais mortos

Na manhã dessa segunda-feira (30), foi cumprida uma ordem judicial de reintegração de posse contra 40 famílias de Malhador, após ação movida pelo Poder Executivo Municipal. As famílias, integrantes do Movimento Organizado dos Trabalhadores Urbanos (Motu), ocupavam as casas do projeto habitacional ‘João Alves de Araújo’ da Prefeitura de Malhador, que recebeu recursos federais mas não concluiu as obras iniciadas há mais de 4 anos.

O poder municipal não disponibilizou um local alternativo para abrigar as famílias retiradas das casas, nem alimentação. Além disso, o transporte dos móveis das famílias se iniciou com o uso do mesmo caminhão utilizado para recolher lixo e animais mortos nas ruas pela Prefeitura.

Somente após protestos do moradores e a intervenção da Defensoria Pública, a Prefeitura trocou o caminhão por outro adequado e forneceu almoço, mas somente para as crianças. Feijão, arroz e ovo, alegando que não seria possível fornecer nenhum tipo de carne.

O defensor público, Sérgio Barreto Morais, coordenador do Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado, declarou ao ‘Jornal do Dia’ que desde o anúncio da reintegração de posse foi possível se deparar com erros administrativos, a exemplo da ausência de profissionais do Conselho Tutelar, Corpo de Bombeiros, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

‘É lamentável que haja uma reintegração de posse sem ter comunicado à Defensoria Pública e convocado outros órgãos para garantir a integridade física das famílias’, declarou Sérgio.

Quintal produtivo das famílias | Foto: Divulgação

Os ocupantes já estavam no local há 5 meses. Conforme o relato de um dos moradores, “aqui antes era local pra uso de drogas e mato. Nós transformamos em lar e estávamos cultivando uma horta de plantas medicinais, feijão e batata doce”.

Após serem retiradas das casas, as família montaram acampamento numa praça pública da cidade. Com receio de ficarem expostos, decidiram ocupar o prédio em reforma da Prefeitura Municipal.

“Desde a ordem de despejo resolvemos ir para a praça. Só que a gente tava correndo muito perigo lá. Então, decidimos ocupar a Prefeitura que estava aberta e em reforma. Agora aqui tá tudo abafado, com cheiro muito forte de tinta e sol tá muito quente. Mas a gente não tem para onde ir. Estamos numa situação muito complicada. E a qualquer momento corremos o risco de ser expulso desse prédio e voltar para rua, mais uma vez”, lamentou o senhor Edivânio.

Os manifestantes cobram que a prefeitura resolva a situação das famílias sem-teto e atualize o cadastro de moradia do município, retirando pessoas que não necessitam do benefício e inclua todas as famílias que foram expulsas do conjunto.

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