A leitura econômica sempre é a definidora da política. Ela vai apontar através de dados frios os indicadores do famigerado desenvolvimento econômico. São dados como o Produto Interno Bruto (PIB), renda per capita, taxa Selic etc. Números que muitas vezes dificultam e distanciam o entendimento da maior parte dos brasileiros de sua real intervenção política em nossas vidas cotidianas.

Vivemos ainda o transcurso do golpe antidemocrático, mas que está tendo seu crime mascarado pelo frágil crescimento econômico pautado em números que alguns poucos especuladores financeiros conseguem interpretar, sempre preocupados em adiantar o que pode acontecer no futuro e que impeça o avanço de seus ganhos. Diferente dessa perspectiva os Movimentos Sociais Populares se dedicam a organizar a rebeldia diante do que está acontecendo, do que está tornando a vida mais difícil e como precisamos confrontar esse modelo imposto pela economia neoliberal.

Mesmo sendo explícita a infecção generalizada do governo golpista de Michel Temer pela corrupção, a direita e os especuladores financeiros precisam aproveitar o momento e emplacar de maneira rápida uma decidida retirada de direitos. Como foi o caso da PEC do teto de gastos e da Reforma Trabalhista, porém a sede é infinita e o governo vai tentar colocar novo fôlego na aprovação da Reforma da Previdência. Além disso, para atender os videntes economicistas que orientam os capitalistas brasileiros o governo golpista deve aplicar um acelerado receituário de entrega de terras a estrangeiros, flexibilização da legislação ambiental, privatizações de empresas estratégicas do setor de telecomunicações, energético, de petróleo e gás.

O que ganhamos com isso? A resposta vem do dono da loja de roupas Riachuelo, Flávio Rocha, que sugere a criação de 4 mil postos de trabalho na condição de intermitência e 8 mil na condição de temporário. Os empregos, no entanto, estão condicionados às pautas no congresso, especialmente à reforma da previdência. Segundo um vidente economicista: “ou a reforma da previdência vem ou a crise volta”.

A reflexão do número de empregos durante o mês de outubro deixou economistas sergipanos animados e fizeram o desenho de um cenário positivo para o meio rural, já que tivemos a contratação de 1.674 trabalhadores de carteira assinada. Porém de modo honesto se associa esse aumento de contratações ao inicio da safra da cana, quando de forma temporária, “homens de vida amarga e dura” fazem parte da ilusão positiva da economia.

Usar números de carteira assinada para balizar uma melhor condição camponesa é extremamente frágil, já que estamos vivendo uma acelerada retirada de direitos e sentida de forma muito mais cruel pelos povos do campo, das águas e das florestas.

O receituário neoliberal não se preocupa em: prever o impacto da Reforma da Previdência no meio rural; Nem em naturalizar a presença de trabalho escravo em propriedades rurais ou conceber que se pague trabalho com comida e moradia; Combater a concentração fundiária como elemento impeditivo do desenvolvimento defendido pelos videntes economicistas; Recompor as políticas públicas voltadas para agricultura camponesa como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB); Defender os territórios indígenas e Quilombolas e incentiva que se desregulamente a política atual de reconhecimento destes; Com o livre uso de venenos e produtos transgênicos que contaminam nossa população.

Todos esses impactos já estão atingindo grande parte da população brasileira e não entram na conta das previsões econômicas que se preocupam com o que vai acontecer, porém é justamente essa turma de videntes neoliberais que sustentam o cenário antidemocrático que vivemos.

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