Atleta da UFS fica em 1º lugar no ranking nacional de parabadminton

Estudante de Educação Física está nesta posição desde o final do ano passado

Maria Gilda atribui o seu sucesso às atividades de socialização realizadas no passado

Raquete, peteca, atenção, agilidade e treinos intensivos são elementos que fazem parte da vida de Maria Gilda dos Santos, atleta do Projeto Paradesportivo de Sergipe e do Nordeste, desenvolvido pelo Departamento de Educação Física da UFS (DEF). No final do ano passado, ela alcançou o 1º lugar no ranking nacional de parabadminton da Confederação Brasileira de Badminton (CBBd) pela categoria WH2 (cadeirantes que têm o controle e função do tronco) e permanece nesta posição após participar da primeira etapa do Circuito Nacional de Parabadminton, que aconteceu em março deste ano em São Paulo.

A estudante do DEF Maria Gilda segue no ranking junto com mais duas atletas do Projeto Paradesportivo: Elisângela Corcino Santos e Lucivânia Santos, que estão ocupando o segundo e o terceiro lugares na mesma categoria. Além delas, Sergio Barreto Santana, Edilson Silva Santos, Marcos Vinicius Silva Bispo e Carlos Alberto Gomes, na categoria WH1, e Sílvio José Podadeiro Rodrigues e Ângelo Alves Neto, na WH2, estão ranqueados nacionalmente.

“Foi com a entrada de Gilda, primeiro nas competições esportivas do estado e depois fora, que os outros foram se motivando. Hoje são cinco atletas que participam de competições estaduais e nacionais. Na última competição que aconteceu em Brasília, todos eles foram premiados”, informa Ailton de Oliveira, coordenador do projeto.

Vida e esporte

Quando o esporte surgiu na vida de Maria Gilda, ele se apresentou não apenas como uma forma de tratamento, mas também como um modo de aceitar sua deficiência. A estudante estava entrando no quadro da síndrome pós-pólio e seu organismo já não respondia à fisioterapia.

A busca pelo tratamento aconteceu em São Paulo com um grupo de fisioterapeutas e educadores físicos que estavam criando o projeto “Vida Ativa”, com o objetivo de reabilitar pessoas com deficiência através da prática esportiva e tentar desafogar os hospitais.

Através da hidroterapia e do basquete, Maria Gilda começou a se interessar mais por esporte. Passou a competir na natação, basquete, arremesso e lançamento de disco, corrida de rua em circuito fechado e, no momento, no parabadminton.

“É uma conquista gradativa, de médio a longo prazo, mas que realmente acontece. É mais que especial saber que hoje você é uma referência no estado, no país. Se essa socialização não tivesse sido feita comigo lá no passado, há mais de dez, vinte anos, isso não estaria acontecendo”, destaca a atleta.

Ranking

A atleta foi convocada em novembro do ano passado pela Seleção Brasileira de Parabadminton e participou de duas competições na Colômbia. (fotos: Adilson Andrade/Ascom UFS)
A atleta foi convocada em novembro do ano passado pela Seleção Brasileira de Parabadminton e participou de duas competições na Colômbia. (fotos: Adilson Andrade/Ascom UFS)

Essa é a primeira vez que a estudante do DEF consegue a 1ª colocação no ranking, conquistado no final do ano passado. Ela permanece na posição após ganhar quatro medalhas de ouro jogando nas categorias dupla mista, dupla feminina, feminino absoluto e feminino WH2 durante o Circuito Nacional de Parabadminton, que aconteceu em março em São Paulo. Agora, Maria Gilda segue em fase preparatória com treinos fortes para a segunda etapa do campeonato, que acontecerá em junho, em Teresina.

Em novembro do ano passado, Maria Gilda foi convocada pela Seleção Brasileira de Parabadminton e participou de duas competições na Colômbia: IV Campeonato Pan-Americano de Parabadminton e 1st Colombia Para-Badminton International. Dentre as medalhas, a atleta trouxe um ouro (mista) e um bronze (simples).

Agora que lidera o ranking nacional, ela precisa manter as pontuações. “Eu tenho que participar de todas as etapas do nacional porque é o pré-requisito para permanecer no ranking. Se eu continuar até a próxima competição internacional, tenho grandes chances de ser convocada de novo”, explica.

Projeto Paradesportivo

Desenvolvido pelo Departamento de Educação Física da UFS, em parceria com o Ministério do Esporte, o Projeto Paradesportivo de Sergipe e do Nordeste foi criado em 2013 e é voltado para todas as pessoas com deficiência, sejam elas da UFS ou não.

De acordo com o professor Ailton, o projeto foi pensado para uma série de modalidades, mas eles só têm cadeiras específicas para handebol, badminton, basquete, atletismo e bocha. Em 2015, alguns atletas conseguiram se inserir no ranking nacional de parabadminton, mas essa é a primeira vez que o 1º lugar é alcançado por um atleta do projeto.

Atualmente, o projeto é formado por uma equipe de três professores, dois bolsistas, dois voluntários e por oito alunos, sendo alguns desses estudantes de fora da universidade.

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