Autor de diversos livros, entre os quais Comunicação Sindical – Falando para milhões e fundador do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), Vito Giannotti disse em entrevista: “Não podemos usar tranquilamente a expressão ‘grande mídia’. Essas duas palavrinhas, além de já quebrar a moral de quem não pertence a este mundo, servem muito bem para esconder a realidade. A chamada grande mídia é grande sim. Do tamanho do capital dos seus donos”.

Como conta o ditado que a versão do vencedor prevalece, temos então um cenário nada confortável, já que a concentração da riqueza no mundo aumentou para um patamar onde oito pessoas no planeta possuem tanta riqueza quanto a metade mais pobre da população mundial, segundo a ONG britânica Oxfam. O Brasil é o país de maior concentração da mídia entre as nações democráticas. Atualmente, apenas seis grupos de Comunicação, tendo o Globo à frente, respondem pela distribuição de notícias em caráter nacional ou regional.

Apenas seis famílias controlam as principais empresas no país e 90% da receita publicitária pública e privada: Editora Abril, Folha, Grupo RBS (vinculada à Globo), Silvio Santos e Rede Record. Os demais enfrentam sérias crises financeiras e disputam uma fração mínima do bolo publicitário.

Em Sergipe, assim como nos demais estados brasileiros, para além dos três poderes instituídos pela república existe a mídia enquanto quarto poder imbricado com a formação das oligarquias locais, capaz de definir, em muitos casos inclusive, maiores mudanças cotidianas que os demais.

Num ponto de Táxi ouvimos que no jornal da família Franco saiu tal notícia, na rádio dos Amorins estão batendo em tal tema. Já o grupo de João Alves agora apoia fulano, Gilmar Carvalho acordou “azedo” com determinado prefeito, Fábio Henrique mudou de lado, etc. Esta variedade permite o ouvinte, telespectador e leitor buscarem diversas fontes, contudo a naturalização desse comportamento nos faz deixar de refletir que estes setores são expressões de classes diminutas narrando interesses imediatos. Por isso, a Expressão Sergipana nasce e se vincula ao já consagrado jornal “Brasil de Fato” de circulação nacional, para lançar outros ângulos diante do fatos, mais próximos dos trabalhadores que ergueram as estátuas, que dos homenageados; seguindo o leito do Cacique Serigy e João Mulungu.

Não somos os primeiros a propor uma comunicação crítica e popular no estado de Sergipe. A historiografia nos revela outras experiências de jornais, programas de rádio e revistas no século XIX e XX, entre eles, em 1832, o “Recopilador Sergipano” o primeiro jornal editado em Sergipe; a Gazeta de 1950 (sofrendo mudanças de linha editorial); além de outros. Já na década de 70 e 80 estudantes universitários que lutaram pela redemocratização revendiam jornais nacionais de oposição ao regime, tais como Pasquim e Intento; assim como por algum período criaram diversos periódicos locais como o “Desacato”, boletins dos sindicatos, partidos e diocese (com destaque para a de Propriá).

Na comunicação popular, ao contrário da empresarial, quanto menos oligopólio melhor. Esperamos estimular mais páginas em internet, Jornais, revistas e rádios comunitárias. Quanto mais passos o povo trabalhador der para corrigir o que não foi contado, mais próximo estará das ferramentas capazes de formar uma consciência libertadora e útil ao combate das injustiças. Tudo indica que o povo deverá enfrentar um período de intensos ataques aos seus direitos, nesta batalha todas as armas serão úteis, incluindo a informação e debate dos nossos interesses; ou como afirma a juventude nas periferias: “Nós por Nós!

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