Após o vazamento de áudios de telefonemas entre o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o empresário Wesley Batista das empresas J&F, o caso do senador volta aos noticiários, colocando em discussão também o papel do Poder Judiciário quanto aos casos de corrupção como este no Legislativo.

No dia 26 de setembro a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu acusar Aécio por corrupção e obstrução de Justiça, afastando-o das atividades parlamentares e recolhimento noturno.

Tal decisão tem provocado a discussão sobre os direitos constitucionais conferidos ao Legislativo que não permitem a prisão preventiva de deputados e senadores, podendo estes serem presos apenas em flagrante ou em caso de crime inafiançável.

Em sessão no dia 11 de outubro o STF voltou a tratar sobre estas penalidades, sendo agora a decisão de medidas a serem aplicadas ao poder Legislativo de uma forma geral. Venceram aqueles que votaram para que medidas cautelares, como o afastamento do mandato de um parlamentar, passassem pelo crivo da respectiva Casa legislativa ou fossem consideradas inaplicáveis.

De pronto, os aliados de Aécio no Senado reivindicaram que a votação fosse secreta, o que poderia posicionar melhor até aqueles senadores que queiram contrariar a decisão de seus respectivos partidos que não o apoiam, mas que pretendem entrar no grande acordo de manter Aécio em atividade. No entanto, tal procedimento já foi proibido pela Justiça Federal de Brasília, atendendo à ação popular da União Nacional dos Juízes Federais.

Ainda assim, o senador tido como eterna “jovem promessa pra política brasileira” tem também dividido seus aliados de fora da Casa Legislativa, dentre eles a grande mídia hegemônica e facista como o grupo Estadão, explícito na página de um de seus colunistas que defende: “Aos julgadores não é dado julgar ao talante do clamor público, pois hoje o prejudicado é um suposto corrupto, mas, amanhã pode ser um inocente, como qualquer um de nós. […] É necessário e justo, sempre, que se faça cumprir o que dita a nossa Constituição.”

Não nos esqueçamos da trajetória de Aécio Neves ex-presidente nacional do PSDB, ex-governador de Minas Gerais e senador desde 2011. Desde jovem na política, Aécio coleciona em seu currículo, entre outras coisas, o envolvimento na Privataria Tucana, favorecimento em licitações de Minas Gerais da Vale após privatização, envolvimento na Lava-Jato com financiamento de campanha com dinheiro ilícito, favorecimento do grupo Odebrecht em obras de usinas hidrelétricas e na construção da Cidade Administrativa em Minas Gerais.

Dia 17 de outubro será a votação de Aécio no Senado, e a população precisa estar atenta a mais esse golpe que pode estar por vir em mais uma blindagem de uma figura que representa a política neoliberal entreguista. Que nesta votação prevaleça o bom senso sobre os rumos da nossa política e que se abram portas para a discussão da grave crise do nosso sistema político brasileiro.

1 COMENTÁRIO

Deixe uma resposta