Sobre o crime de ódio em Orlando e o momento que vivemos aqui no Brasil

Sobre o crime de ódio em Orlando e o momento que vivemos aqui no Brasil, vale lembrar:

– Segundo relatório do Grupo Gay da Bahia, a cada 28 horas um/a gay, lésbica, bissexual, travesti ou trasexual é assassinado/a no Brasil;

– Apenas no ano passado, 2015, foram 318 LGBTs assassinados/as;

– Esses números incluem apenas assassinatos divulgados em jornais e internet. A realidade deve ser ainda mais grave, já que em muitos crimes contra a população LGBT, principalmente pelo preconceito de familiares e agentes policiais, é descartada a presença de homofobia;

– Ganham mais força a cada dia figuras públicas que se notabilizam por discursos de ódio e intolerância, especialmente contra a população LGBT. Bolsonaro é, certamente, o principal expoente. Mas se formos nas Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais Brasil afora veremos que o problema é bem mais profundo;

– Cresce a cada dia a quantidade de parlamentares defensores da “flexibilização” do Estatuto do Desarmamento. Uma Comissão Especial na Câmara dos Deputados já aprovou medidas como: ampliação das pessoas que podem comprar e portar armas de fogo; redução da idade de 25 para 21 anos para ter direito a comprar e portar armas; direito de usar a arma em casa e nos locais de trabalho; renovação do porte de arma a cada dez anos (e não mais a cada três anos); permissão para comprar até 100 cartuchos (e não mais 50) para cada arma, sendo que uma única pessoa poderá ter até seis armas;

– Ao final da votação na Comissão Especial, o relator do projeto Laudívio Carvalho (PMDB-MG) disse: “Estamos devolvendo ao povo o seu direito de legítima defesa”;

– Falando em “legítima defesa”, têm cada vez mais espaço na mídia apresentadores e comentaristas que defendem a “justiça com as próprias mãos” como saída para os problemas sociais do país. Sheherazade, assim como Bolsonaro, é apenas um expoente. Se formos analisar as emissoras de TV e rádio pelo país, veremos que a realidade é bem pior.

O que quero dizer com isso?

1. Que o crime de Orlando (assim como qualquer crime de ódio) deve, sim, nos indignar e nos mobilizar contra a homofobia;

2. Mas também que não devemos tratar o crime de Orlando como algo isolado ou distante de nós. O ódio e a homofobia têm crescido em escala mundial e também internamente aqui em nosso país;

3. Ou seja, o inferno não são só os outros. Somos nós também.

Paulo Victor Melo, jornalista. 13/06/2016.⁠⁠⁠⁠

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