A CHUVA MELHORA O TEMPO
O TROVÃO ANIMA A GENTE
NUVENS FORTES E O TEMPO NUBLADO
E O AGRICULTOR CONTENTE
VAI PARA A SUA PLANTAÇÃO
DE MILHO, MANDIOCA, FEIJÃO
FAVA, MELANCIA, JERIMUM E MELÃO.
(Sandra Ocione)

Ano de chuva é ano de festa e colheita na zona rural. Bons ventos tem passado no campo sergipano e já se completam seis meses de chuva após seguidos anos de secas (que intensificaram-se no ano de 2016), o que tem trazido alegria para o povo que vive no campo e a projeção safras recordes de grãos como milho, feijão e arroz.

Depois da colheita de 54 mil toneladas de arroz ocorrida em julho, com destaque para a região do baixo São Francisco, projeta-se que sejam colhidas quase 10 mil toneladas de feijão, sendo mais de 8 mil toneladas somente no município de Poço Verde, e esta mesma lógica irá acompanhar a produção do milho, principalmente na região agreste e centro-sul, onde estão as maiores áreas plantadas.

Estes três produtos, junto da macaxeira, são a base alimentar do povo sergipano, o que indica que teremos uma boa redução no preço destes produtos, em relação ao ano passado que foi um ano de forte seca e tivemos o preço do feijão atingido até 12 reais.

Estas notícias nos aliviam pois sabemos que poderemos nos alimentar gastando menos e sobrando algum dinheirinho para outras demandas da família. Porém há uma questão a se refletir e discutir: qual a qualidade dos alimentos que estamos produzindo para o nosso povo sergipano?

O Brasil é campeão mundial de utilização de agrotóxicos, o que afeta diretamente produtores e consumidores. Sergipe tem aumentado vertiginosamente a quantidade de roças de milho a partir de sementes transgênicas. São esses os alimentos que queremos consumir diariamente?

Há muito já se tem feito um debate na sociedade sobre a importância da produção de alimentos saudáveis, e em tempos de safra-recorde faz bem lembrar que ainda temos muito o que avançar neste sentido, mesmo não sendo toda esta produzida a base de agrotóxicos e transgênicos.

Em Sergipe tivemos alguns avanços nos últimos anos frutos da persistência da Rede Sergipana de Agroecologia – RESEA (entidade que articula diversos movimentos sociais e instituições que atuam na perspectiva da produção de alimentos saudáveis). Em 2011 foi aprovada a lei 7.270, proposta pelo então deputado estadual João Daniel (PT), que dispõe sobre os incentivos à implantação de Sistema de Produção Agroecológica pelos agricultores familiares no Estado de Sergipe e em 2016 foi aprovada a lei 8.167, proposta pela deputada estadual Ana Lúcia (PT), que institui o conceito de sementes crioulas e o incentivo à conservação da Agrobiodiversidade no Estado de Sergipe.

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Porém, para validação destas leis, precisa-se construir um processo de regulamentação das mesmas. Foi enviado pela RESEA, em 2016, uma proposta de regulamentação da lei 7.270/2011 para que se crie uma Política Estadual de Agroecologia e Produção Orgânica, onde a sociedade civil organizada junto aos órgãos estaduais possam propor ações para que se avance na na Segurança e Soberania Alimentar no estado de Sergipe, porém ainda não houveram respostas sobre a sua aprovação ou rejeição.

É importante que a sociedade sergipana comemore os frutos colhidos neste ano chuvoso, mas devemos sempre olhar pra frente e querer mais saúde na nossa mesa.

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