Campesinato no Alto Sertão Sergipano desenvolve experiência coletiva de Produção Agroecológica

Foto: MPA

Camponeses e camponesas do MPA e parceiros no Alto Sertão Sergipano desenvolvem um experiência coletiva de produção Agroecológica no município de Canindé de São Francisco, Sergipe.

Juntos, camponeses e parceiros que compõem a coordenação ampliada da Unidade de Produção Camponesa, estiveram reunidos na sexta-feira, 1 de setembro, para avaliar as atividades produtivas e de formação já realizadas na área cedida ao Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), em regime de comodato, pelo governo do Estado de Sergipe, desde 2015.

A Unidade de Produção Camponesa (UPC) é um espaço de produção e de formação nos princípios da Agroecologia e Soberania Alimentar, tendo como elemento norteador o Plano Camponês do Movimento. Desta forma a UPC, além de garantir a produção diversificada, propõe-se o papel de produção de sementes crioulas, ou Sementes da Liberdade como são conhecidas na região, e, consequentemente, do abastecimento (Banco Mãe) das Casas de Sementes existentes nas comunidades de Porto da Folha, Canindé de São Francisco, Monte Alegre e Poço Redondo, onde camponeses e camponesas cultivam e conservam estes materiais há décadas e que têm a sua produção ameaçada pelas constantes secas e pela distribuição de sementes de outras variedades pelo governo e de transgênicos que promovem a erosão genética destes materiais crioulos.

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A reunião realizada na Unidade, em ambiente improvisado sob uma lona preta, militantes e parceiros conheceram os avanços já alcançados na estruturação dos caminhos para produção agroecológica na área e que foram marcados por atividades de formação, intercâmbios, rodas de conversa, além dos mutirões, momentos em que grupos se reuniram para os plantios e para as obras na sede em construção.

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Parceiros como o Centro de Formação Agrícola Dom José Brandão de Castro, Embrapa Tabuleiros Costeiros, Pastoral da Juventude Rural (PJR), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Assessoria do Deputado João Daniel, Prefeitura de Canindé de São Francisco, Articulação do Semiárido (ASA), Sociedade de Apoio Socioambientalista e Cultural (SASAC) e Federação das Associações Comunitárias dos Produtores Rurais de Porto da Folha (FEACOM) puderam perceber a importância deste espaço e apontaram sugestões para ação conjunta, potencializando as práticas na UPC.

O técnico agrícola e historiador José Avelange Santos, militante do MST ressaltou “a importância do diálogo que está sendo construído na UPC para os agricultores na produção agroecológica na região e, principalmente, na discussão sobre as sementes para as gerações futuras”.

O papel estratégico da UPC também foi destacado por Rosalvo Vitor, da Comunidade Garrote do Emiliano, em Poço Redondo. Para ele, “é uma área muito importante pra nós, camponeses e para nós do movimento, porque é uma área que a gente vai produzir as nossas sementes crioulas… Com essas secas a gente perdeu muitas sementes e aqui a gente vai poder produzir a nossa semente crioula”.

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Ainda durante o evento, Daniela Bento, representando a ASA/SE, apresentou e lançou o boletim Candeeiro com o título: “Unidade de Produção Camponesa: experiência coletiva do campesinato sergipano” que abordou o trabalho desenvolvido na UPC, sistematizando essa experiência do MPA e parceiros. Uma pauta de encaminhamentos foi organizada, apresentada e discutida com todos os parceiros, apontando os compromissos e as tarefas de todos e todas envolvidos.

Terra, água, pão e semente, Soberania para nossa gente!

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