Com arte e debate, Campus São Cristóvão realiza Semana da Consciência Negra

Campus São Cristóvão resgata a guerra entre quilombos e índios no período escravocrata com a participação de grupo cultural da cidade de Laranjeiras

Foto: Maurício Pisani / El País

O Campus São Cristóvão, mais uma vez, pediu licença para falar das raízes. De 06 a 10 de novembro, estudantes, professores, artistas e pesquisadores discutiram sobre as agruras e delícias do povo negro. Discorreram acerca de um povo que não veio para o Brasil por legítima vontade, mas coagido, obrigado, e até hoje precisa se fazer ouvir para que respeitem sua história, sua cultura e sua fé.

O debate sobre a temática negra é recorrente na unidade de ensino. O campus recebe, ou já recebeu, estudantes do Mussuca –  comunidade quilombola de Sergipe, localizada no município de Laranjeiras. Ademais, é dever das instituições educacionais zelar, explicar e valorizar a história dos povos, especialmente daqueles que constituíram o povo brasileiro.

Para Fernando Aguiar, professor da Universidade Federal de Sergipe (UFS), referência no estado em estudos ligados à cultura africana e cultos religiosos, a instituição de ensino cumpre com o seu papel social de preparar os seus alunos para o mundo do trabalho. “As relações inter-raciais percorrem todo o linear que vai desde a instituição familiar até o mundo do trabalho e as relações humanas que se desenvolvem na sociedade”. Na palestra de abertura, apresentou conteúdos que provocaram reflexões e trouxeram para o debate questões relacionadas à realidade da população negra como: seu genocídio, a intolerância às religiões de matrizes africanas, os desafios da mulher negra.

“O combate ao racismo e a intolerância, todas as formas correlatas de discriminação, é o papel da escola desenvolver. Penso que todos ganham com essas semanas que acontecem, porque, na verdade, a gente busca transformar uma sociedade mais humana, mais justa, pautada na valorização dos direitos humanos e, acima de tudo, na dignidade da condição humana”, afirma.

No âmbito das artes, José Ronaldo de Menezes, popularmente conhecido com Mestre Zé Rolinha apresentou o Lambe-Sujo – movimento cultural de Laranjeiras. Conforme o declara, o Lambe-Sujo é a representação do Brasil colônia, é definido como um grupo afro, e conta a história de dois povos: africano e indígena. Comprometidos com a cultura popular, inúmeras vezes estimulados pelas aulas de artes, os estudantes reproduziram a tradicional apresentação dos Lambe-Sujos e Caboclinhos que acontece no segundo domingo de outubro, em Laranjeiras. “Os alunos estão de parabéns. É isso mesmo: história do povo para o povo”, define.

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