O fato da vitória de um mesmo bloco político em toda grande Aracaju foi um dos componentes mais destacados pelo resultado do último pleito eleitoral sergipano. As perspectivas, porém, de forma ainda prematura, atraem a atenção de toda gente sergipana no sentido de questionar se a oportunidade trará os benefícios esperados e se este bloco político poderá de fato fazer algo diferente nas atuais circunstâncias financeiras e políticas em que vivem os municípios.

A região metropolitana de Aracaju, composta pelos municípios de Aracaju, Barra dos Coqueiros, Nossa Senhora do Socorro e São Cristóvão, possui a quarta maior densidade demográfica do país, portanto, sua importância econômica e política para o estado é relevante. Circunscrito neste espaço há um paradigma comum dos processos de urbanização tardios da periferia do capitalismo: o inchaço das cidades e consequente precarização funcional dos serviços.

Os quatro prefeitos empossados terão pela frente a oportunidade de debater um plano territorial, pois o desenvolvimento ocorre através de fluxos. A cidade de Aracaju é o eixo desta região, concentrando as decisões e recursos; ditando o ritmo e as funções do cinturão periférico que a rodeia. Obviamente que a estrutura das cidades exige tempo para serem modificadas, mas determinados temas guardam maior preocupação dos trabalhadores e trabalhadoras: O Saneamento, Transporte, Moradia, Emprego, Segurança, Saúde e Educação.

Além dos prefeitos, o próprio povo terá também uma motivação para cobrar e discutir os rumos destes municípios. Aí está, inclusive, a esfera fundamental desta oportunidade, pois o tipo de desenvolvimento é uma opção política.

Para os moradores de São Cristóvão, que constantemente se manifestam pela melhoria nos serviços de abastecimento de água, haverá um conflito de interesses já anunciado: Para melhorar os serviços de abastecimento a SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) deverá ser mais bem estruturada.

Já nos outros municípios, que também enfrentam dificuldades, a DESO será posto simbólico desta luta, por conta das dinâmicas privatistas agora aceleradas pelo Governo Temer. Sabemos que há sempre precarização intencional das estatais a fim de liquidá-las para as transnacionais. Especificamente, há também condicionalidades de recursos federais para os estados que cumpram as metas privatistas. Resta saber o comportamento do governo de Jackson Barreto (PMDB) aos olhos dos trabalhadores da DESO e eleitores.

Diante de um quadro econômico que sugere um longo período de desemprego, consequente agravamento das condições de sobrevivência, enxugamento dos gastos públicos praticados pelo governo Federal e ataque feroz do capital Internacional para abocanhar as empresas e recursos brasileiros; sobre o povo sergipano, ampara-se a vigilância ferrenha na discussão de que tipo de desenvolvimento privilegiará a maior parte da população.

Enfim, as condições estão dadas para o povo reivindicar uma integração de qualidade no transporte público, superar obras estruturais, como a duplicação da Avenida Euclides Figueiredo, atuar no caos do saneamento da zona de expansão. Paralelamente terão que confrontar os interesses daqueles empresários que lutam contra esse processo e estão com seus representantes nos governos e câmaras para sobrepor a especulação imobiliária às necessidades da população que diariamente vai ao centro trabalhar, mas retorna aos seus bairros desestruturados.

A oportunidade e a capacidade dos trabalhadores, cada vez mais atentos com os rumos dos recursos públicos e decisões, poderá de fato influenciar nesta janela histórica. Como foi dito, o desenvolvimento deve ser pensado territorialmente. Não há solução para a segurança pública séria e de qualidade com aumento da desigualdade de oportunidades entre bairros e regiões. Junto a isso, anotemos e façamos ações de crítica na internet, conselhos populares, bairros e escolas sobre o esperado compromisso anunciado pelos prefeitos eleitos, mas que já ventilam contradições desde o dia primeiro de janeiro.

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