O ano de 2017 pode ser marcado pela excentricidade política. Onde um governo –sem voto- reprovado por ampla maioria popular (menos de 9% o aprova) conseguiu acelerar pautas e medidas antipopulares como nunca antes visto. Assim, aos poucos, a população vem percebendo que mais do que uma guerra sobre a narrativa histórica entre “foi ou não golpe”, os resultados estão sendo nefastos para a vida dos trabalhadores e trabalhadoras, sobretudo os mais pobres. Portanto, uma parte daqueles que apoiaram ou ficaram indiferentes ao impeachment da presidenta Dilma Rousseff, hoje atentam que o golpe em si está sendo mais conteúdo do que somente forma.

Esta imagem de que o país segue uma rota de aprofundamento da sua crise e que somente a classe trabalhadora foi chamada a pagar a conta, terminou de ser lapidada com as revelações sobre “caixa 2” realizadas pelos sócios proprietários da JBS-Friboi.

A informação atingiu em cheio o governo Temer, criando diversas conjecturas para o debate político: “Haverá renúncia?”, “A Reformas propostas ainda têm maioria no Congresso?”, “Por qual motivo há divergência entre setores da mídia hegemônica que estavam unidos pelo impeachment de Dilma?”, “Quais os interesses locais e internacionais?”, “O que fará o PSDB com a desmoralização do seu presidente?”, etc.

As questões ainda são demasiadamente complexas e repletas de variáveis ainda “quentes” para conclusões precisas. Em termos gerais percebe-se que entre setores da classe dominante há uma divergência sobre o caminho a ser seguido para atingir o objetivo de austeridade por via das reformas trabalhistas, da previdência e plano de privatizações. Por um lado alguns setores representados pelos jornais Estadão e Folha de São Paulo ainda apoiam a permanência de Temer na presidência, do outro a rede Globo atua pelo desgaste e consequente renúncia para a partir da vacância presidencial o presidente da câmara dos deputados (Rodrigo Maia) convocar eleições indiretas para a presidência do País –Índícios apontam para a construção da Imagem da presidente do STF, Carmem Lúcia. Esta aposta da Rede Globo, inclusive, relembra seu passado quando apoiou os governos militares, contando que naquele momento o exército era a instituição prestigiada e ilibada capaz de se colocar –pelos conservadores- ao restabelecimento da ordem; podendo hoje ser figurada pelo judiciário.

Entretanto, fora das cúpulas, ganha força massiva a ideia de que todo o sistema político está corrompido, quando se vê por via de doações de campanha (declaradas ou não), que as eleições brasileiras foram completamente sequestradas pelo poder econômico. Enquanto solução não resta outro caminho senão a mobilização social como elemento crucial para definir os rumos do país, porque diante da calmaria a tendência é que o poder econômico defina o jogo. Não caberá a este congresso desmoralizado escolher um presidente para dar continuidade às reformas mais cruéis já implementadas desde o fim da ditadura militar.

Fora Temer, Por Diretas Já! Para que o povo possa restabelecer um pacto democrático para reformar todo o sistema político brasileiro através de uma constituinte exclusiva e soberana, e logo definir um plano de desenvolvimento emergencial que ao invés de tolher direitos proponha crescimento sem precarização, com investimento e soberania nacional.

Estejamos juntos no próximo dia 24 de maio a convite da Frente Brasil Popular para as mobilizações que definirão os próximos cenários da política brasileira.

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