“Do velho Aribé ao Siqueira Campos”

Praça Dom José Thomaz | Foto: Arquivo Municipal da Prefeitura Municipal de Aracaju

Dando continuidade a nossa série especial “Aracaju e seus bairros”, iremos nos descolocar a oeste do nosso Centro. Chegamos a um dos bairros mais antigos e importantes da nossa cidade, o Siqueira Campos. Vamos conhecer esse local de tantas memórias? Vamos passear pelos estados do Brasil sem sair de Aracaju? Então vamos lá ao nosso Siqueira!

Os primeiros passos do Aribé

Muitos que conhecem hoje o Siqueira Campos, não devem nem imaginar que o nome antigo era Aribé. Aribé? Sim, Aribé. Significa frigideira de barro grande, usada na região do rio São Francisco e no seu entorno. Na região havia uma grande produção de vasos de cerâmica, os aribés, dando origem ao primeiro nome do local.

O engenheiro Fernando de Figueiredo Porto chamava os bairros periféricas de “os arrabaldes do Aracaju”. Significa dizer que todos as localidades fora do Centro do Quadrado de Pirro eram regiões pobres. E assim era o Aribé. Sua população foi resultado da fixação de escravos libertos pós 1888. Trouxeram suas tradições e histórias, como o candomblé, que encontrará nessa região um refúgio e segurança para os cultos aos orixás. Além disso, vieram pessoas do interior do estado que fugiam principalmente da seca no Alto Sertão e dos conflitos provocados pelo cangaço.

A Estação da Leste

Com a chegada da ferrovia na década de 1910, a região acelerou seu desenvolvimento. Margeando o eixo ferroviário da capital sergipana, muitos passaram a desembarcar na região. Eram provenientes de várias locais do estado. Em fevereiro de 1914, as oficinas de manutenção da Estação Leste foram instaladas no Aribé. Com isso, as primeiras residências dos funcionários das oficinas e dos ferroviários trouxeram para a região o nome de “Oficinas”. Tinha um sentido restrito, abrangendo melhor a área que estava no entorno do conjunto de prédio das oficinas. Contudo, o nome Aribé sempre preponderou.

No ano 1923, na administração municipal de Adolfo Espinheira, notando o aflorar do desenvolvimento urbano do local. Determinou seu levantamento topográfico e o plano de arruamento. O trabalho foi realizado pelo topografo e auxiliar técnico da Intendência Municipal, Basílio Martins Peralva. As novas ruas teriam 15 metros de largura, em vez dos 13,20m, vigentes no resto da cidade. Adotou-se o critério de que elas teriam os nomes dos estados brasileiros. Uma homenagem à nacionalidade.

O Aribé se transformou em Siqueira Campos

Oito anos depois, no dia 06 de janeiro de 1931, o bairro Aribé mudaria de nomenclatura para Siqueira Campos, através do Ato n° 1. O novo nome é em homenagem ao herói tenentista Antônio de Siqueira Campos, que participou da Revolta dos 18 do Forte Copacabana e da Revolução de 1930. A mudança aconteceu na gestão do Intendente Camilo Calazans.

Os anos 30 e 40 foram momento de progresso e desenvolvimento do Siqueira Campos. Começando com a chegada da energia elétrica em 12 de março de 1933. A primeira residência do bairro a ser eletrificada foi a casa nª 470, na esquina entre as ruas Amazonas com Santa Catarina. Após a região começou a ganhar visibilidade na cidade. Muitos proprietários de terrenos começaram a lotear e vender muitos desses lotes. Dentre os proprietários estão: Mariano Salmeron, Carlos Corrêa e Mário Valois. Muitos deles dão nomes a logradouros públicos do bairro.

Praça do Siqueira, o coração do bairro

No dia 12 de maio 1944, era fundada a Paróquia Nossa Senhora de Lourdes. A igreja foi construída pela própria comunidade, que literalmente meteu a mão na massa. Outras grandes instituições e prédios públicos também foram construídos. Por exemplo, a primeira instituição pública municipal de Educação Infantil de Aracaju. O Jardim de Infância José Garcez Vieira foi inaugurado em 11 de novembro 1944. A escola tinha como finalidade atender uma parcela da população quase que totalmente excluída das poucas políticas públicas de educação. Ambos localizados na famosa Praça do Siqueira.

Nesse período, a então Praça do Siqueira, era um campo aberto de areia branquinha e uma grande Lagoa no centro que se chamava Lagoa do Barro Vermelho. Nesse período é aterrada e a Praça iria ter os primeiros traços de um importante logradouro público. No ano 1948, na administração de Marcos Ferreira de Jesus, a Praça do Siqueira recebe o nome do primeiro Bispo de Aracaju, o Dom José Thomaz Gomes de Souza.

O mercado e os cinemas

Também nos anos 40, a grande feira do bairro ganha o Mercado Municipal Carlos Firpo. As margens da linha férrea, recebia muitas mercadorias que chegavam à Aracaju nas composições dos trens.

Com o passar dos anos, de 1950 até os anos 80, o bairro se tornaria o maior de Aracaju. Com três cinemas bem movimentados. São eles: ‘Bonfim’ e ‘Vera Cruz’ na rua Carlos Correia (antiga rua Goiás) e o ‘Plaza’ na Rua Santa Catarina (hoje a Catedral da Igreja Universal).

A diversidade religiosa

Falando em igreja, é nesse período que chegam grandes Igrejas Evangélicas ao bairro. Como a Assembleia de Deus na Rua Bahia, a Congregação Cristã na rua Amazonas, a Igreja Batista Memorial na rua Paraíba e a Igreja Universal do Reino de Deus na rua Santa Catarina. É construída também a Capela da Santa Cruz, na esquina da Rua Sergipe com Quintino Marques, e a Capela Santa Rita de Cássia. Além disso, nesse período também chegava os primeiros Centros Espíritas na região. Com todos esses espaços religiosos no bairro (além dos Terreiros, citados no início do texto e que permanecem até hoje), o Siqueira Campos ficou conhecido também pela diversidade religiosa.

As escolas do Siqueira

Seguindo, no início da década de 60 foi inaugurado na Escola Paroquial o “Instituto Dom Fernando Gomes”, em homenagem ao segundo Bispo de Aracaju, o Dom Fernando Gomes. Outros grandes colégios públicos e privados também são fundados, como: Presidente Vargas, Rodrigues Doria, General Siqueira, Cristo Rei etc.

O cemitério e a fábrica de cimento

Já em 12 de março de 1964, foi inaugurado o maior cemitério público da cidade, o Cemitério São João Batista. No final dos anos 60 chegou a primeira fábrica ao bairro. A Fábrica de Cimento Poty da Votorantim, que vai se instalar na Avenida Rio de Janeiro. Porém, o empreendimento causou grande impacto ambiental e trouxe sérias complicações à saúde dos moradores do local e adjacências. Após a transferência da fábrica foi construído o condomínio residencial Vivendas de Aracaju.

A casa do Sergipe

Vizinho à antiga fábrica está o Estádio João Hora de Oliveira. Fundado no dia 26 de Julho de 1970, foi recebido pelos moradores e torcedores da Rua Amapá. Eles fizeram uma grande campanha para a transferência da sede do “Gipão” para o bairro. O Club Sportivo Sergipe deixava à Praça Inácio Barbosa, na Rua da Frente, no São Jose para o Siqueira Campos. Nesse mesmo período foi fundado o conjunto habitacional Costa e Silva.

E assim foi se desenvolvendo o Siqueira Campos. Hoje é um pedacinho significativo da nossa Aracaju. Muitos dizem que é um segundo Centro, pois tem tudo: bancos, supermercados, colégios, lojas, clínicas, fábrica, estádio de futebol e muitos mais!

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Discente de História na Universidade Federal de Sergipe. Estagiou no Museu do Homem Sergipano e na Biblioteca Pública Epifânio Dória

5 COMENTÁRIOS

  1. Espetaculo de postagem, se quiser enriquece-la com fotos antigas do Siqueira, inclusive de muito prédios citados, visite o site: www. cidades.ibge.gov.br, direcione para Aracaju e procure por fotos.

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