Por Ronildo Almeida*

Construir uma sociedade com menos desigualdades sociais não é um projeto a curto e médio prazos. Só por meio de políticas sociais, tendo como seu principal viés a educação, poderemos alcançar ao longo do tempo uma sociedade menos desigual. É importante ressaltar ainda, que, no conjunto de medidas, temos que valorizar o trabalho, com salários e condições decentes de atuação profissional, combinado com políticas de fixação das famílias nos espaços sociais – inibindo os êxodos rural e urbano aos grandes centros -, alinhando a produção ao consumo e investindo numa política de saúde para todos e todas.

Essas medidas oferecidas gratuitamente, através de programas sociais, são na sua essência voltadas a corrigir todos os desequilíbrios de uma sociedade injusta. E se caracterizam como ferramentas de mudanças.

O primeiro passo foi dado, mas interrompido por um golpe político-parlamentar, que retroage e distancia o grande sonho do povo brasileiro de um país justo socialmente. Uma estrutura capitalista não aceita projetos de evolução nem intelectual, nem financeira. O capitalismo investe no distanciamento do homem ao seu necessário bem de consumo, embora seja ele quem o produza com sua mão de obra desvalorizada. O fato é que não existe projeto de respeito e libertação daqueles que trabalham na produção e que a cada dia se tornam mais excluídos desse sistema degradante.

A vitória e a libertação só serão possíveis com observações, discussões em fóruns e mobilização. Todas as correntes de movimentos sociais e sindicais devem se articular num grande trabalho de base, voltado exclusivamente para liberdade do pensar e agir. Assim alcançaremos a resistência necessária para nos contrapor de forma unificada, trabalhadores e povo, corrigindo, no enfrentamento diário, as injustiças praticadas.

A participação política-partidária, direta ou indiretamente, faz-se fundamental para o enfrentamento de forma democrática, conquistando uma maior representatividade essencialmente oriunda das discussões populares, e com projetos respaldados pelos anseios de uma sociedade agora ainda mais descrente na interlocução povo e poder.

Não podemos deixar que destruam nossos sonhos. Melhor, temos que transformá-los numa realidade discutida e compromissada bem distante da pregação diária do foco do negativismo e do impossível, que impregnada aos nossos ouvidos nos deixa fragilizados. Não nascemos pra ser infeliz e inferior diante daqueles que nos exploram, como esse repetido discurso do capitalismo nos quer fazer crer. Não nos deixemos intimidar, ou nos fazer cansar. A luta apenas começou.

*Ronildo Almeida é presidente da UGT/SE (União Geral do Trabalhadores em Sergipe) e membro da Frente Brasil Popular

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