Eu vejo o futuro repetir o passado

Ex-Governador Marcelo Déda no dia que sancionou a lei do Proinveste | Foto: Instituto Marcelo Déda

Por Lucas Mendonça Rios*

“Eu vejo o futuro repetir o passado. Eu vejo um museu de grandes novidades (Cazuza)”

Sem dúvida alguma, o Governador Jackson Barreto é hoje a principal liderança política do estado. Seu governo não vai bem, ao contrário, mas conta com amplo apoio parlamentar, de vários partidos (da esquerda à direita) e, agora, também de lideranças que há bem pouco tempo eram da oposição.

Se isso é bom por um lado, pode ser ruim por outro. Jackson não pode ceder à tentação de se comportar como seu principal oposicionista se comportou há quatro anos atrás, quando já sentara na cadeira de Governador por antecipação. Amorim perdeu a eleição, e por larga margem. E muito contribuiu para a sua derrota não só a arrogância que demonstrara, mas também o equívoco da posição que adotou ao ser contrário ao ProInvest, além da crueldade com o falecido Governador Marcelo Déda, que, já muito doente, clamava pela aprovação do projeto pela Assembleia Legislativa, comandada à época por Amorim.

Jackson pode estar se colocando na mesma condição de Amorim ao sinalizar seu apoio à privatização da DESO. Um equívoco histórico que, além de significar uma traição ao povo de Sergipe que o elegeu em 2014 e ao seu ex companheiro de lutas Marcelo Déda – de quem foi Vice-Governador, cuja atuação na vida pública sempre se pautou pela defesa do patrimônio público, inclusive da DESO -, pode significar também uma redefinição da vontade popular para o pleito eleitoral de 2018.

Se a posição contrária à privatização da DESO de Valadares e Amorim (em se confirmando) é oportunista, a posição favorável de Jackson (em se confirmando) é traição.

*Lucas Mendonça Rios é Advogado há 12 anos, pós graduado em Processo Civil, com atuação nos ramos do direito do trabalho, sindical e público; integrante do Coletivo Advocacia pela Democracia e da Comissão de Direitos Humanos da OAB/SE

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