A formação do povo sergipano foi violenta e traumática. Aqueles que aqui viviam foram mortos, violentados e escravizados pelos colonizadores. A economia se desenvolveu para saciar ambições distantes das fronteiras nacionais, não para nos engrandecer. A própria independência de Sergipe e o reconhecimento dos laços que unem os sergipanos foram alvos de ataques durante toda a nossa história, que se sentem até hoje. O poder ainda permanece nas mãos daqueles que herdaram a tradição sangrenta dos que colonizaram nossa terra.

Engana-se, entretanto, quem acredita que somos um povo vencido. Reparem melhor nas batalhas da invasão de Sergipe. O Cacique Serigy venceu as forças desiguais dos colonizadores durante anos e anos e lutou até o fim pela preservação do seu povo, pela justiça e pela terra. As chamadas terras do Cacique Serigy se converteram nas terras de Sergipe. O nome do líder indígena marca o nome do nosso estado. Seus feitos podem ter sido escondidos, mas não apagados.

Nosso jornal nasceu do sonho de resgatar nossa história, nossa terra, nossos valores, nossas festas, nossas comidas, nossa cultura, nossas paixões, nossas lutas, nossas vitórias, nossa identidade de povo sergipano. Nasceu da entrega de movimentos sociais e sindicais que decidiram se empenhar em construir um instrumento que mostre a realidade que outros não mostram.

Sabemos que essa tarefa é impossível se estiver desvinculada da continuidade da luta das lutadoras e dos lutadores sergipanos. Por esse motivo, decidimos lançar nosso primeiro jornal impresso neste 19 de janeiro. Essa é a data que homenageia João Mulungu, escravo sergipano que rebelou-se contra as correntes, fundou quilombos e foi um dos grandes líderes da luta contra a escravidão. É em exemplos como o de João Mulungu que buscamos inspiração.

Compreender a realidade sergipana não é possível através de uma só pessoa ou grupo. Por isso, convidamos você para que juntos tracemos os contornos onde revelaremos a nós mesmos: os traços da Expressão Sergipana.


Este conteúdo foi originalmente publicado na versão impressa (Edição 0) da Expressão Sergipana. Confira a edição completa

Deixe uma resposta