A falta que Ana Lúcia fará

Foto: Divulgação

O Facebook “me lembrou” que hoje, 2 de fevereiro de 2018, completam exatos três anos de uma celebração popular, ocorrida na Praça Fausto Cardoso, marcada pela diversidade de bandeiras e símbolos que expressam histórias de luta por direitos, por justiça social e por igualdade.

A celebração, que contou com apresentações de grupos culturais, com discursos de representantes de movimentos sociais e até com uma bonita homenagem feita em tototós nas águas do Rio Sergipe (bem em frente à Praça) marcava a posse de Ana Lúcia para o seu quarto mandato de deputada estadual.

A memória daquele dia ganha mais simbolismo dia após dia, especialmente por um fato já anunciado pela própria deputada: a partir do próximo ano, a Assembleia Legislativa de Sergipe não terá mais a presença de Ana Lúcia como parlamentar.

Nas discussões públicas sobre as eleições estaduais deste ano, diversas são as perspectivas sobre os/as 24 candidatos que assumirão uma vaga na ALESE a partir de janeiro de 2019. Parlamentares consolidados que caminham à reeleição, outros que terão dificuldade de ter o mandato renovado, lideranças municipais que podem garantir um cargo estadual, inúmeros são os cenários apontados pelos analistas políticos e pelas primeiras pesquisas. Mas, independente do que as urnas confirmarem sobre o Legislativo Estadual, a partir de 2019 Sergipe não assitirá mais na Tribuna da ALESE uma das mais expressivas deputadas que já passaram por aquela Casa.

Há os que gostem de Ana Lúcia e há os que não gostem. Há os que simpatizem com o seu modo de fazer política, há os que não. Há os que tenham identidade com os seus princípios e valores, há os que tenham discordância. É natural da política e da vida. Quem nunca ouviu o ditado popular que “nem Cristo agradou a todos”?

Mas independente do que cada um pensar sobre Ana Lúcia, não há como negar: ela é das mais atuantes e combativas deputadas da história de Sergipe.

É uma deputada com marca própria, com identidade, com produção legislativa que reúne projetos e proposições nas diversas áreas (cultura, meio ambiente, educação, serviço público, desenvolvimento econômico, direitos de mulheres, população LGBT, crianças e adolescentes, negros e negras, pessoas com deficiência, etc.).

É uma incansável, que pauta a sua atuação tanto nos debates do Parlamento quanto no calor e no chão das ruas. Os movimentos sociais e o conjunto do sindicalismo sergipano afirmam isso. Coletivos de juventude, cultura e movimento estudantil também dizem o mesmo. Seus opositores e adversários políticos também sabem disso. E sabem porque reconhecem em Ana Lúcia alguém que compreende e valoriza o bom debate de ideias e de projetos.

São essas características que evidenciam que a saída de Ana Lúcia da ALESE não será a saída do ‘indivíduo Ana Lúcia’, mas da ‘representante Ana Lúcia’, a representante de um modo coletivo de pensar a sociedade, de um conjunto de príncípios, de um modo de atuar na arena pública.

Como já definiu a sua corrente interna no PT, a Articulação de Esquerda, o professor Iran Barbosa será o candidato a deputado estadual, na perspectiva de sucessão de Ana Lúcia.

Iran tem todas as credenciais para ser um exímio deputado estadual e para representar os princípios e causas que Ana Lúcia tão bem expressa no Legislativo. Teve um mandato de deputado federal conectado às demandas populares; é um vereador com excelente aceitação social – tanto que foi o mais bem votado em duas eleições seguidas na capital -; foi autor de importantes conquistas para Aracaju e Sergipe, seja na Câmara Municipal ou na Câmara Federal; é um dos melhores oradores de Sergipe; é sempre bastante atuante na defesa dos direitos da classe trabalhadora.

Outra definição da Articulação de Esquerda foi tentar reconquistar um mandato na Câmara dos Deputados. Para a tarefa, a corrente aprovou a pré-candidatura da Professora Angela Melo.

Assim como Ana Lúcia e Iran Barbosa, a professora Angela Melo é da boa “safra” forjada na militância do Partido dos Trabalhadores e nas boas lutas do magistério sergipano. Da mesma forma que Ana Lúcia, Angela é uma mulher que cotidianamente ousa enfrentar os ideias machistas e participa ativamente da vida política, afirmando que o lugar das mulheres é onde elas quiserem estar.

Então, a partir de 2019, a ALESE ganhará muito com a vitória de Iran Barbosa e Sergipe pode ganhar muito com outra mulher trabalhadora representando o estado numa Casa Legislativa. Ainda assim, é inegável e precisa ser dito: Ana Lúcia fará muita falta.

Paulo Victor Melo, jornalista. Texto escrito em 2 de fevereiro de 2018

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