Na última segunda-feira (24), iniciou a 3° etapa das ações da Fiscalização Preventiva Integrada – FPI do São Francisco. São ações coordenadas pelo Ministério Público Federal e Estadual com apoio do Comitê Hidrográfico da Bacia do São Francisco e envolvendo 29 órgãos e instituições estaduais e federais, como exemplo, o IBAMA, INCRA, Polícia Federal, Corpo de Bombeiros entre outros.

Nessa 3° etapa, a FPI pretende fiscalizar 10 municípios sergipanos inseridos na Bacia Hidrográfica do São Francisco, onde atuará na fiscalização e identificação de irregularidades praticadas no Velho Chico, como construções irregulares nas margens do rio, desmatamentos, pesca predatórias, criações clandestinas em cativeiros de animais silvestres, captação clandestina de água, além de atuarem na identificação de sítios arqueológicos com o apoio da Universidade Federal de Sergipe.

Diante dessas ações vem surgindo alguns questionamentos por parte de vários ribeirinhos, que tem muito se perguntado:

Por que só agora? Será que vão impedir as ações degradantes dos megaprojetos no São Francisco? Essas interrogações feitas pelos ribeirinhos são pertinentes, pois sabe-se que é proibido criar “o papa capim dos seus sonhos” em uma gaiola. Ou um pescador construir um pequeno ranchinho na beira do rio para servir de apoio na pesca. Até mesmo é possível ver suas redes apreendidas e multas num valor que jamais terá condições de pagar, podendo até ser preso. Ou até mesmo, talvez, um camponês ser punido por ter instalado uma pequena irrigação para plantar sua mini-horta.

Daí surge a pergunta maior: Quem será mesmo os principias responsáveis pela atual e triste situação do Rio São Francisco?

Com certeza os principais causadores não são esses pequenos delitos citados anteriormente, mesmo sendo legítima essas ações de proibição. Mas, o fato é que as causas principais pela degradação do Velho Chico é o modelo adotado de exploração de suas águas pelo grande capital. O agronegócio, por exemplo, que suga a água do rio pra plantar cana irrigada entre outros grandes projetos de irrigação. Ou o equivocado modelo energético adotado no país que construiu várias hidrelétricas ao longo do rio provocando inúmeros impactos sociais, ambientais e culturais aos povos tradicionais. Além do desenfreado desmatamento das matas ciliares por parte do agronegócio, como também a construção de grandes empreendimentos turísticos nas suas margens como EcoParques e resorts. São formas de privatizar suas margens e suas águas. Além disso, é necessário fiscalizar o uso das águas da recente transposição do Velho Chico.

Portanto, não adianta só prender redes e multar pescadores, ou prender aquele passarinho na gaiola. É necessário atingir diretamente a causa principal do sofrimento do São Francisco, que é punir também, diria até principalmente, os grandes projetos do capital, os maiores responsáveis por causar a ferida crônica que vem agonizando o nosso Rio São Francisco. É preciso que se pense urgentemente em um amplo projeto de revitalização, pois essas ações estarão muito longe de frear a triste morte do Rio Opará.

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Correspondente da Expressão Sergipana no Sertão Sergipano, Comunicador Popular, Ribeirinho, Agente de Saúde do município de Poço Redondo e militante do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA)

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