Governador Jackson quer vender a água do povo sergipano

Foto: Deso

O governador de Sergipe Jackson Barreto (PMDB) confirmou, na última quarta-feira, 8, que existe a possibilidade concreta da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) ser vendida. A entrevista foi concedida ao jornalista, Ricardo Marques, no SETV 1ª Edição, da TV Sergipe.

A entrevista especial concedida pelo governador abordou diversos temas, a exemplo de obras, conchavos com a sua ex-opositora a senadora Maria do Carmo (DEM), segurança pública e pagamento de IPVA. Mas a informação que prejudica diretamente a população de Sergipe que depende da água para sobreviver foi a venda da Deso.

Ao ser questionado pelo jornalista, Jackson Barreto confirmou que o Estado já está discutindo a venda da concessão com o Governo Federal ilegítimo. “Estamos em um processo de negociação com o BNDES e o estado está dentro desse processo para fazer uma análise de possiblidade concreta de ser vendida”, afirmou.

Táticas: sucateia e culpa trabalhadores

No esforço para construir uma argumentação que justifique a entrega da água dos sergipanos às empresas multinacionais, o governador Jackson adota táticas já manjadas, praticadas com frequência por governos liberais à serviço da burguesia que quer se apropriar de todas as riquezas produzidas pela sociedade.

A primeira tática é o sucateamento da empresa pública. O Governo que é responsável pela gestão da Deso age sistematicamente com imprudência e enfraquece os investimentos, causando, por lógica, a precarização dos serviços. “Se você fizer uma pesquisa na opinião pública vai compreender que a Deso precisa se enquadrar às necessidades da população. Ela não está prestando o serviço à altura da empresa que ela representa,” acusa o governador.

A segunda tática do Governo é a transferência simplória da culpa para os servidores que estão sob a sua subordinação. “Procure saber quantos servidores a Deso tem que não trabalham e quanto recebem de salário, que poderia ser revertido em favor da população que está sofrendo com a falta de água. A Deso poderia dar uma grande contribuição, mas falta um esforço maior não só da diretoria, mas dos servidores da Deso,” diz o governador em mais uma confissão da sua conivência.

Consequência do Golpe

A venda da concessão da Deso, companhia responsável pela administração da água em Sergipe, é mais uma consequência desastrosa do Estado antidemocrático instaurado no país, depois da derrubada da presidenta Dilma Rousseff (PT).

O governo de Michael Temer, cercado de partidos e lideranças derrotados nas últimas eleições presidenciais, não esconde a sanha privatista que rifa segmentos estratégicos do país – exatamente por ser originário de um processo ilegítimo, sem o voto da população. O Aquífero Guanani, uma das principais reservas de água doce do mundo, com mais de 1,2 milhão de km², está na mira do Governo Federal entreguista e das multinacionais que apoiaram a derrubada do Governo eleito, assim como as reservas de petróleo no pré-sal e da estatal federal de energia, Eletrobras.

Sergipanos devem resistir

O desmanche do patrimônio e das riquezas públicas já começam a gerar prejuízos em todas as partes do país. Caso se concretize a privatização da água, os prejuízos irão atingir diretamente à população sergipana e os servidores da companhia.

O sindicato dos trabalhadores da Deso (Sindisan) e a Central Única dos Trabalhadores em Sergipe (CUT/SE) têm advertido que a venda da Deso atende aos interesses da elite traidora dos interesses nacionais, aliada às empresas estrangeiras. E que os problemas existentes na empresa são de responsabilidade do próprio Governo Estadual, responsável pela gestão.

“O governador Jackson Barreto precisa explicar ao povo por que quer vender a Deso. O governador está brincando com a inteligência da população, uma vez que critica a gestão da empresa, mas esquece de dizer que ele é quem manda lá, é quem indica os diretores e define a política. O sindicato dos servidores Deso, o Sindisan, tem denunciado o sucateamento da empresa e essa é a velha tática usada para justificar a venda, assim como foi feito por Fernando Collor e FHC quando privatizaram estatais brasileiras valiosas,” contesta Rubens Marques, presidente da CUT/SE.

As entidades sindicais orientam que a população sergipana precisa fazer o enfrentamento para evitar a privatização do uso da água em Sergipe. “A Deso é um patrimônio do povo sergipano e por isso precisamos lutar para que ela não seja vendida,” alerta o dirigente da CUT.

Por CUT/SE

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