Hanseníase: 300 novos casos foram registrados em Sergipe

O quantitativo médio de 300 novos casos notificados todos os anos em Sergipe ainda classifica a hanseníase como grande problema de saúde pública, alerta a coordenadora do Núcleo das Doenças Transmissíveis, da Secretaria de Estado da Saúde (SES), Mércia Feitosa. Segundo ela, os dados que posicionam o Brasil como o segundo país com o maior número de casos dessa infecção estão diretamente ligados ao prazo estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para eliminação da doença até o ano de 2020.

A hanseníase é de natureza crônica, infectocontagiosa, cujo agente etiológico é o Mycobacterium leprae. Esse bacilo tem a capacidade de infectar grande número de indivíduos, porém poucos adoecem. É possível ao paciente, inclusive, ter imunidade alta, ter tido contato com o bacilo e não desenvolver a doença, que pode vir a surgir a qualquer momento. Ela acomete principalmente pele e nervos periféricos podendo levar a sérias incapacidades físicas, sendo uma infecção de notificação compulsória em todo o território nacional e de investigação obrigatória. O conseqüente comprometimento da pele e dos nervos do infectado pode gerar seqüelas, a exemplo de uma mão em garra, o que também gera uma problemática social que envolve, entre outros aspectos, o estigma e a situação trabalhista do indivíduo.

Perigo na infância

Mércia ainda ressalta que quando há uma mancha esbranquiçada ou avermelhada na pele, com borda regular ou não, sem que o paciente tenha sensibilidade ao toque, a dor ou ao calor, há sintomas evidentes de hanseníase.

“A idéia é que consigamos reduzir índices relacionados à transmissão da doença. Como Sergipe vem apresentando nos últimos anos um perfil epidemiológico flutuante, ora diminuindo, ora aumentando o número de casos, registramos aumento da taxa de detecção em menores de 15 anos. Saiu de 3,10 em 2015 para 4,02 a cada 100 mil habitantes, em 2016. Quando esse crescimento está relacionado ao adolescente entendemos que está havendo a alta circulação do bacilo da doença e a alta transmissão, demonstrando, ao mesmo tempo, uma fragilidade no diagnóstico, nas ações de controle da doença por parte da Atenção Básica. Considerando que a hanseníase tem longo período de encubação, ou seja, 10 anos em que o paciente é portador do bacilo sem que a doença se manifeste, entendemos que a bactéria está circulando e acometendo crianças”, alerta Mércia.

Sergipe

De acordo com o Ministério da Saúde, Sergipe é um estado considerado de média endemicidade, apresentando, em 2016, taxa de detecção de 13,73 por 100 mil habitantes. Ainda em 2016, o percentual de cura dos novos casos foi de 84,6%, e 87,4% dos contatos domiciliares dessas pessoas foram examinados. Mércia Feitosa ressalta ainda que a proporção de cura e exame dos pacientes comunicantes apresentou uma redução entre os anos de 2013 e 2016. “Em 2013 a cura foi de 90,5% e o percentual de contatos de casos novos de hanseníase examinados foi de 91%. O valor mínimo ideal para cura e exame dos comunicantes é de 90%. As regiões de saúde que apresentam maior concentração de casos são as de Aracaju, de Itabaiana e de Nossa Senhora do Socorro”, revelou.

SES

De acordo com a coordenadora do Núcleo das Doenças Transmissíveis, da SES, a hanseníase é um problema que deve ser amplamente discutido em meio à população e aos profissionais da área da saúde. Em virtude disso, a SES tem fortalecido as capacitações voltadas para os profissionais da Atenção Primária de Saúde, sendo eles médicos e enfermeiros aptos a revelarem o diagnóstico da hanseníase com maior precisão. A última capacitação, concluída no final de agosto, contou com a participação de 65 médicos. A perspectiva é de que mais três capacitações sejam realizadas até o final do ano.

“A intenção é que a população, ao perceber sintomas na pele, busque o posto de saúde mais próximo, a fim de proceder com a avaliação da tal mancha, que pode até mesmo ser confundida com pano branco ou psoríase. Na medida em que a população é orientada a buscar ajuda numa unidade básica de saúde, orientamos o profissional para a realização do diagnóstico, que acontece clinicamente a partir da observação e dos relatos do paciente, sem que haja necessidade de exame ou mesmo biopsia”, destacou.

Em casos de diagnóstico de hanseníase, o tratamento pode durar seis meses e até mesmo um ano, a depender do tipo da infecção. Todos os tipos de hanseníase têm cura, embora algumas seqüelas já instaladas sejam irreversíveis, porém sem evolução de danos a partir do início do tratamento. Após 15 ou 30 dias de uso da medicação apropriada o bacilo deixa de ser transmitido para um novo indivíduo, daí a necessidade de um diagnóstico precoce, visto que no início da doença há menor quantidade de bacilos e, conseqüentemente, menores chances de adquirir seqüelas.

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