João Alves deve ser candidato

O melhor para a biografia de João Alves Filho é ser candidato à reeleição. E que o povo o avalie nas urnas.

Foto: DEM

Quem me conhece deve estranhar o título desse texto. Então, faço logo questão de esclarecer: não se trata de qualquer apoio à reeleição de João Alves Filho. Pelo contrário, avalio que o atual Prefeito de Aracaju tem se notabilizado por um mandato que: a) retrocedeu em diversas conquistas sociais da cidade; b) desorganizou estruturas administrativas importantes; c) desresponsabilizou-se da gestão de serviços públicos fundamentais; d) onerou a população, por meio da criação de taxas e elevação de impostos; e) desrespeitou a autonomia do Poder Legislativo, enviando projetos para a Câmara de Vereadores com curtíssimo tempo para debate e negando sistematicamente as contribuições da oposição; f) e criminalizou mobilizações populares, por meio de ações repressoras da Guarda Municipal.

Por isso, a afirmação “João deve ser candidato” tem aqui outro sentido. É uma cobrança do mínimo de coerência e compromisso com as suas próprias palavras por parte do prefeito. Quando candidato em 2012, João fez inúmeras promessas para as mais variadas áreas da administração municipal e, com uma prepotência característica de gestores oriundos do período de Ditadura Militar, se colocou como “a solução” para os problemas de Aracaju.

João prometeu BRT, prometeu construção de um edifício-garagem no Centro e de estacionamentos em balanço sobre o Rio Sergipe, prometeu a informatização do atendimento nos postos de saúde, prometeu a construção de uma maternidade municipal no Santa Maria, prometeu a construção de dois novos terminais de ônibus (no Santa Gleide e Santa Maria) e reforma dos já existentes, prometeu respeito aos direitos dos profissionais da saúde, prometeu elevar a qualidade da educação pública, prometeu, prometeu, prometeu. E o fato é que prestes ao término do seu mandato, nenhuma dessas promessas foi implementada.

Desistindo da candidatura, João, então, estaria confessando à população que a enganou e continuaria enganando (ou João desistiria de vez da vida pública e não tentaria qualquer disputa eleitoral em 2018?). Afinal, a única possibilidade de concretizar as promessas (soluções) que anunciou é sendo reeleito, vencendo as eleições de outubro deste ano. E só vence quem disputa. A desistência da tentativa de reeleição é a melhor sinalização de que João desistiu das suas promessas.

Falando especificamente do BRT, principal promessa de campanha de João na eleição anterior, a única medida adotada pelo Prefeito que poderia, com muito esforço, fazer alguma referência foi a pintura de faixas azuis nas Avenidas Ivo do Prado, Beira Mar e Tancredo Neves. Pergunto: João não disputando a reeleição e num cenário de clara dificuldade em encontrar um substituto aos 45 do segundo tempo, declararia apoio a Valadares Filho? O mesmo que criticava o BRT e apresentava como proposta o VLT, esse tão criticado por João nos programas eleitorais? Como João explicaria aos seus eleitores que desistiu da reeleição, logo desistiu do BRT, e agora apoiará o candidato do VLT?

Por mais que eu discorde e critique a sua administração, digo: o melhor para a biografia de João Alves Filho é ser candidato à reeleição. E que o povo o avalie nas urnas.

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Jornalista, mestre e doutorando em Comunicação e Política. Tem experiência com jornalismo sindical, políticas de comunicação na América Latina, mídias públicas e comunicação e direitos humanos

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