Na última semana, surgiram notícias de que João Alves Filho iria desistir de disputar a Prefeitura de Aracaju em 2016 por motivos de saúde. Uma coletiva marcada para esta segunda (01), na qual supostamente abandonaria o pleito, foi cancelada de última hora.

João Alves Filho iniciou sua carreira pública após o Golpe Militar, durante a Ditadura, como Prefeito biônico de Aracaju (1975-1979), ou seja, não foi eleito pelo voto, mas por imposição de Ernesto Geisel. Em 1982, ainda sob a égide do Golpe militar, João Alves se elegeu Governador de Sergipe ao lado de Antônio Carlos Valadares, como vice. Fez oposição no ano de 1984 à campanha das Diretas Já — pela redemocratização do país —, e alguns anos depois foi nomeado Ministro do Interior pelo antigo líder do partido da Ditadura, José Sarney.

Foi eleito Governador em 1990 e 2002, perdeu em 1998 para seu ex-aliado Albano Franco e foi derrotado em 2006 e 2010 para Marcelo Déda. Na última eleição municipal em 2012, obteve mais votos que Valadares Filho. A gestão do Prefeito João Alves foi marcada pelo descaso com a periferia — como ausência de obras de cunho social e os problemas na coleta de lixo —, precarização da saúde, reajustes abusivos do IPTU e, especialmente, pelo transporte público caro e de péssima qualidade.

O Prefeito aumentou três vezes a passagem de ônibus, que foi de R$ 2,25 no início da sua gestão para R$ 3,10. As promessas de campanha de que Aracaju teria um sistema de transporte público moderno foram substituídas por um dos maiores aumentos de tarifa do Brasil e por linhas azuis pintadas no chão que João Alves apelidou de “BRT”. O Ministério Público está investigando os problemas causados pelo “BRT”, a Justiça já mandou tirar as placas de “faixa exclusiva”, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) julgou ilegal um dos aumentos da tarifa de ônibus e a população vem se manifestando, seja através de escárnios ao Prefeito nas redes, reclamações nas ruas ou promovendo campanhas, como a do Veto Popular contra o aumento da tarifa — apoiada pelos movimentos sociais, sindicatos, Defensoria Pública e OAB —, contra a qual as empresas de ônibus aliadas a João Alves entraram com uma ação judicial no TJ/SE e no STF para impedir o uso desse instrumento da Democracia participativa, tentando impedir o povo de se manifestar.

Por sua vez, na semana passada, os irmãos Amorim e André Moura (PSC) declararam apoio a Antônio Carlos Valadares e ao pré-candidato Valadares Filho (PSB). Recentemente, André Moura ganhou enorme destaque por compor a “tropa de choque” de Eduardo Cunha (PMDB) —  investigado por corrupção e afastado pelo STF da Presidência da Câmara. Pelo apoio incondicional a Cunha, Moura foi agraciado com a liderança do governo de Michel Temer (PMDB) na Câmara. Amorim e Valadares também se perfilharam a Cunha e a Temer, manobrando para alçar o segundo a Presidente interino da República, sob a batuta do primeiro.

Se engana quem acha que João Alves Filho vai se aposentar. Ainda que o Prefeito pendure o chapéu de couro que nunca usou — a não ser nas eleições —, quem une o bloco Amorim-Moura-Valadares é o mesmo pai que impulsionou o início da carreira pública de João Alves: o Golpe. A história demonstra que esse bloco pretende dar continuidade ao trabalho de João, valendo-se de golpes contra a Democracia e contra o povo sergipano, dessa vez com um novo Filho.

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