João Mulungu: um lutador do povo sergipano

Por Lorenzo Henriques

Laranjeirense da Cotinguiba, João Mulungu nasceu em 1851, numa senzala do Engenho Flor da Roda. Negro forte, de traço nagô, era escravo de João Pinheiro Fraga. Jovem, presenciou sua mãe morrer por chicotadas. Em 1868, conseguiu fugir do seu proprietário, que tentou sem êxito prender o valente Mulungu.

Então começou a organizar levantes com outros negros revolucionários, colaborando com a libertação de milhares de escravos dos engenhos sergipanos em Capela, Divina Pastora, Maruim, Rosário do Catete, Santo Amaro, Carmopólis, Siriri, Riachuelo e Laranjeiras. Com isso, acabou provocando a ira de muitos senhores e barões do açúcar. A cabeça do líder negro dos quilombos foi exigida ao presidente da província.

E em 03 de janeiro de 1876, João Ferreira de Araújo Pinho decretava sua prisão. Entretanto, foram várias tentativas frustradas de captura. Mulungu era apoiado por uma rede de solidariedade. Sempre fugia por entre as matas.

Até que em 19 de janeiro de 1876, o negro Severino delatou onde João se encontrava. Preso pelo tenente João Batista da Rocha, foi levado para Divina Pastora. Logo após, para a Cadeia Pública em Aracaju (Localizada na Praça General Valadão, atual Palácio Serigy). Mais tarde condenado à morte.

É preciso reafirmar a importância da memória dos homens e mulheres que deram a vida por liberdade, justiça social e igualdade em nosso amado Sergipe. E João Mulungu foi um desses lutadores.


Este conteúdo foi originalmente publicado na versão impressa (Edição 0) da Expressão Sergipana. Confira a edição completa

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Discente de História na Universidade Federal de Sergipe. Estagiou no Museu do Homem Sergipano e na Biblioteca Pública Epifânio Dória

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