Lindsei Brabec: uma vida dedicada à luta olímpica e ao judô

Lindsei Brabec Mota Barreto é uma das treinadoras referência em Sergipe, quando se fala nas modalidades Judô e Luta Olímpica, dentre uma constelação de professores de educação física e técnicos abnegados pelos esportes escolares

Foto: Maria Odília/ Arquivo Seed

Desde que Lindsei Brabec ingressou na prática da modalidade esportiva Judô, no Colégio Estadual Atheneu Sergipense, onde cursou da 5ª série até a conclusão do ensino médio, a trajetória da professora se confunde com a própria história deste esporte em Sergipe. Iniciou por acaso, nesta escola, mas não foi por acaso que chegou à faixa preta.

Nascida em uma família humilde, Brabec viu sua mentalidade se ampliar e sua vida se transformar depois que começou a praticar o Judô, aos 12 anos de idade, no Atheneu Sergipense, com o professor Durval Américo, atualmente presidente da Federação Sergipana de Judô, educador que a incentivou e motivou em sua trajetória esportiva e ao qual conserva imensa gratidão e carinho.

A Escola Paulino Nascimento, no bairro Robalo, em Aracaju, após a implantação do projeto Judô na Escola, se transformou em celeiro de judocas talentosos, a exemplo dos finalistas no Campeonato Brasileiro Regional de Judô, os alunos Afonso Medeiros e Marcelo Vitor Souza, este 2º lugar na competição. Ambos integraram o projeto ‘Judô na escola´, idealizado e desenvolvido desde 2005 nesta unidade escolar pela professora Lindsei Brabec Mota Barreto, mesmo ano em que esta profissional ingressou no Magistério Público Estadual de Sergipe, e onde atualmente possui dois vínculos.

Formação profissional

Quando ainda cursava o ensino médio, Lindsei decidiu sua profissão: seria professora de Educação Física e seguiria os passos do professor Durval. Estava segura de que desejava dar aulas de Judô, e gostaria, em especial, de poder retribuir ao ensino público, que transformou a sua vida, além de ajudar estudantes de baixa renda econômica.

Concluiu a educação básica na rede pública de ensino, foi aprovada na Universidade Federal de Sergipe (UFS) para o curso escolhido de antemão, concluindo sua graduação em 2004. Logo, especializou-se em Atividade Física relacionada à Saúde pela Universidade Tiradentes (Unit), em (2006). Regressou à UFS como professora substituta entre 2007 e 2008. Lecionou ainda na Faculdade Estácio de Sá entre os anos de 2009 e 2011.

Dedicada aos estudos, em sua trajetória acadêmica, a professora Lindsei atua em linhas de pesquisa relacionadas às Artes Marciais, Atividade Física e Saúde, Avaliação Física e Treinamento Desportivo e, em 2011 obteve o título de mestre em Ciências da Saúde pela UFS. Em 2012, foi aprovada mais uma vez em concurso público e passou a acumular dois vínculos no Magistério da Rede Pública Estadual de Sergipe, atuando na Escola de Esportes José Gerivaldo Garcia.

Judô na Escola

O Projeto “Judô na escola”, encabeçado por Lindsei, contou com substancial apoio da equipe diretiva e pedagógica do “Paulino Nascimento”, que por se tratar de uma escola pequena e não contar com ambiente adequado à prática do esporte, buscou parceria para sediá-lo na Associação de Servidores da Polícia Federal em Sergipe e disponibiliza aulas extracurriculares para aproximadamente 100 estudantes anualmente.

Ao longo dos 12 anos em que desenvolve o projeto a professora Lindsei Brabec já foi responsável pela iniciação de mais de 500 alunos na pratica dessa modalidade esportiva. Desses, em torno de 300 adquiriram conhecimentos e técnicas suficientes para serem atletas de competição.

“Tento sempre mostrar que eles são capazes e que podem sim conquistar tudo que eles quiserem. Não tem quimono? Vamos fazer uma rifa, vamos arrecadar dinheiro, e aí vamos criando estratégias para que vejam que é possível tornar o sonho realidade. A participação deles não é o mais importante para mim, isso deve ser importante para eles. O que mais me importa é a mudança de vida deles”, enfatiza.
Exemplo

Espelhada no exemplo do mestre Durval Américo, Brabec incentiva a coletividade, exige dedicação aos estudos e notas acima da média. Além disto, alunos que mantinham comportamentos inadequados no ambiente escolar foram convocados para participar do projeto, postura que ajudou a escola a melhorar o desempenho e a atitude de estudantes indisciplinados.

Inspirados na trajetória de vida da treinadora, diversos ex-alunos seguem os seus passos profissionais, como é o caso de Viviane Souza, que está estudando para concorrer a uma vaga em Licenciatura em Educação Física, e acompanha a Mestre nas aulas de judô. Com 17 anos, o judoca Marcelo é um dos ‘filhos´ de Lindsei. Ele está cursando a 3ª série do ensino médio no Estadual “Paulino Nascimento” e há seis anos iniciou-se no judô por meio do projeto desenvolvido pela professora. “Assim como ela, também serei professor de educação física e darei aulas de judô”, conta Marcelo, orgulhoso.

Família

Aos 34 anos, casada com um judoca, Lindsei não tem filhos biológicos. “Meus alunos atletas são meus filhos”, diz, com ternura. Juntamente com outros cinco ex-alunos, hoje profissionais como ela, fundou uma academia particular de Judô, denominada Amigos – Centro de Excelência de Judô, onde além dos alunos pagantes, treinam ainda, sem custo algum, os participantes do projeto Judô na escola.

Há seis anos, a judoca Lindsei Brabec realizou cursos oferecidos pela Confederação Brasileira de Luta Olímpica e, a partir disso passou a dar aulas também dessa modalidade. E como resultado, já colhe diversos frutos. Atualmente, praticamente todos os seus alunos do projeto Judô na Escola praticam também luta olímpica.

Razão de viver

Para Lindsei, é possível sonhar que seus atletas possam chegar aos mais altos pódios nacionais e internacionais de judô. Mas, como explica, seu objetivo é ver o maior número de pessoas possíveis, alunos da rede pública estadual de baixa renda, trilharem por um caminho bom na vida. “Fico emocionada em rever, depois de anos, pessoas que foram meus alunos e perceber que trilharam rumos positivos por conta do aprendizado que eles tiveram no judô e levaram consigo para a vida. Para mim não tem pagamento maior que esse. Nunca chorei por decepção nesse trabalho, só por alegria”

Orgulhosa dos bons caminhos lhe proporcionados pela escola pública, a professora Lindsei assegura que o seu trabalho é uma filosofia de vida. “É a minha razão de viver! Minha vida não existe sem judô. Não perco o contato com nenhuma geração de alunos meus. É, de fato, uma relação fraternal”.

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