MPA avança nas experiências de produção camponesa em Sergipe

A "Brigada Terra", que é composta por militantes e camponeses do movimento, tem contribuído para o desenvolvimento da Unidade de Produção Camponesa, com princípios e experiências em Agroecologia

Parte da produção coletiva | Foto: MPA

Durante um mês, de 11 de agosto a 11 de setembro de 2017, os camponeses do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) em Sergipe, por meio do coletivo de produção, está organizando o mutirão “Brigada da Terra”. O movimento pretende dar sequência as atividades de estruturação da produção na Unidade de Produção Camponesa (UPC) do Movimento, que está localizada no Assentamento Califórnia, no Município de Canindé do São Francisco/SE.

Os integrantes da “Brigada Terra”, que é composta por militantes e camponeses do movimento, irão contribuir nestes dias de trabalho para o desenvolvimento prático do plano estratégico da UPC, que está sendo construído na forma de uma Unidade de Produção de Sementes Crioulas com princípios e experiências em Agroecologia.

O trabalho com sementes crioulas tem sido desenvolvidos em vários estados onde o MPA está organizado. Segundo os camponeses do MPA, as sementes são patrimônio dos povos a serviço da humanidade.”Todas as plantas que cultivamos e todos os animais domésticos que criamos, são frutos da evolução da natureza e do trabalho de diferentes povos pastores, agricultores e camponeses. Nenhuma planta cultivada e nenhuma criação doméstica foi desenvolvida pelos cientistas modernos que trabalham para as empresas. Todos os cultivos, sem exceção, são criação camponesa e dos povos originários”.

Juventude Camponesa no preparo do solo e plantio | Foto: MPA

Nos Territórios as Unidades de Beneficiamento de Semente (UBS) são unidades multiplicadoras, referência para o intercâmbio e comercialização. Segundo o movimento, está é uma estratégia de enfrentamento aos transgênicos e as multinacionais do agronegócio.

As UBSs também tem uma estratégia a nível de comunidade, para que possa garantir a diversidade, segurança alimentar e nutricional, bem como a autonomia das famílias.

Nas comunidades encontram-se as “Casas Comunitárias de Sementes Crioulas” que é o local onde guarda-se e armazena-se as sementes crioulas após estarem secas e selecionadas. As famílias produtoras colocam suas sementes na casa e retiram na hora do plantio. É um espaço de troca de sementes entre as famílias do local e com famílias de outras regiões do estado e do país.

A casa auxilia no resgate e na armazenagem das variedades locais, também é conhecida como Banco de Sementes Crioulas, onde cada família que produz é guardiã. As Casas de Sementes Crioulas são um modelo alternativo de administração coletiva da reserva de sementes necessária para o plantio. Junto à Casa as pessoas, famílias e grupos encontram um espaço de empréstimo, troca e disponibilização de sementes. Este sistema permite que cada família produza e melhore sua própria semente sob a gestão coletiva da reserva. No MPA, elas tem sido organizadas pelos grupos, organizações e comunidades, a partir de sua realidade e necessidade.

Colheita de parte da produção coletiva | Foto: MPA

Sendo assim, os dias de mutirão serão realizados com muita disciplina, mística, animação e espaços de formação na perspectiva da socialização de conhecimentos entre os próprios brigadistas, em especial com o envolvimento da juventude camponesa.

Para o MPA, os camponeses e camponesas compreendem “que a terra, água, pão e a semente constroem a Soberania para nossa gente”. Por isso, as Unidades Camponesas de Produção tem garantido a Soberania Genética e Alimentar. A produção de sementes pelos próprios camponeses permite que estes tenham autonomia na produção, evitando a aquisição destas no mercado, reduzindo assim os custos, além de permitir o intercâmbio de conhecimento e de sementes entre os camponeses.

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