Se a verdadeira identidade de um povo está em sua cultura, nenhum lugar é mais sergipano do que o Museu da Gente Sergipana Governador Marcelo Déda. Nele, a valorização da cultura local e a sensação de pertencimento são mote de trabalho diário.  Inaugurado em 2011, fruto de uma parceria entre o Governo do Estado e o Instituto Banese, o museu celebra os traços da sergipanidade em sua forma mais genuína: do ponto de vista da cultura popular.

No espaço, a rica arquitetura do antigo Atheneuzinho mistura-se ao repente [arte baseada no improviso cantado], literatura de cordel, culinária, fauna e flora e muita interatividade. Nas palavras do superintende do Instituto Banese, Ezio Déda, além da proposta de valorização da cultura local, o espaço veio também com a proposta de descontruir e desmistificar a imagem engessada de como um museu deve ser.

“Quando se pensa em museus, o que está no imaginário coletivo é que são espaços solenes, onde o objeto está lá inacessível. Aqui não é conteudista, que você vai sentar e pesquisar profundamente o tema. O museu brinca, suscita, provoca, te faz descobrir coisas e é um marco significativo na sergipanidade, porque celebra o que há de mais genuíno, a cultura do povo. É um museu que aborda os mestres da cultura popular, as indumentárias dos grupos de cultura popular, celebra o cordel, o repente, o feirante, então é um lugar da gente mesmo”, defende o superintendente.

Prestes a completar cinco anos de funcionamento, o museu contabiliza 400 mil visitas (cerca de 80 mil ao ano)/ Fotos: Victor Ribeiro/ASN
Prestes a completar cinco anos de funcionamento, o museu contabiliza 400 mil visitas (cerca de 80 mil ao ano)/ Fotos: Victor Ribeiro/ASN

Ezio, que também assina a restauração do prédio, diz que um dos direcionamentos do projeto – passado pelo então governador Marcelo Déda – foi de construir o que viria a ser ‘o espelho do povo sergipano’. “O direcionamento foi de criar um espaço em que o sergipano pudesse se enxergar e que o turista chegasse e entendesse o que é essa gente, quais são os elementos que nos caracterizam, traços culturais, fisionômicos, brincadeiras, modo de falar etc. O que está exposto aqui é o que tem na casa da gente”.

E ao expor o que está no cotidiano do sergipano, o Museu da Gente provoca, principalmente, nas crianças, o reconhecimento do ‘ser sergipano’. “Esse é um processo gradativo de educação, muito significativo. Especialmente nos grupos escolares. Eles veem aqui elementos do seu dia a dia, acessam equipamentos, que dialogam com o que vivenciam, e isso desperta a sensação de pertencimento, valorização. E quando essa criança sai daqui é com outro olhar”, explica o superintende.

Além do acervo permanente, o espaço recebe a cada quatro meses uma exposição nova em seu hall. A próxima exposição temporária retratará os 90 anos do prédio Atheneuzinho
Além do acervo permanente, o espaço recebe a cada quatro meses uma exposição nova em seu hall. A próxima exposição temporária retratará os 90 anos do prédio Atheneuzinho

Tal opinião é reforçada pela professora Laís Santana, que levou os alunos do 5º ano da Escola Estadual Alcebíades Paes e seus familiares, do município de Cumbe, para a sua primeira visita ao museu, como parte de um projeto lançado por ela. “Sempre desejei proporcionar momentos de aprendizagem além da sala de aula. Na minha experiência de escolarização, eu senti muito essas ausências. É um compromisso que eu tenho com meus alunos”, diz.

A professora conta que antes da visita, trabalhou em sala de aula a temática da sergipanidade. “Para conhecer o que é do outro, primeiro você tem que ter certeza da sua identidade, certeza de quem você é enquanto povo, como comunidade”.

O estudante Alejandro Ivan Santana Alves, 14 anos, diz que não conhecia o museu e que deseja visitar novamente o espaço. “É melhor do que eu tinha imaginado. Gostei de ver a caatinga, a fauna e a flora sergipana. Eu acho que esse museu mostra muito o que é ser sergipano”.

“Essa é minha primeira visita e estou gostando demais. A nossa cultura é muito linda”, declara a dona de casa Vera Santos, que participou da visita acompanhando o neto.

O Museu da Gente Sergipana, inaugurado em 26 de novembro de 2011, foi o primeiro centro multimídia do Nordeste. Em 2012, recebeu o prêmio ‘O melhor da Arquitetura’, organizado pela revista Arquitetura e Construção, foi escolhido como Atração do Ano e venceu o prêmio do maior e mais importante guia de turismo nacional, o Guia Brasil 2013. Dois anos depois, entrou para a lista dos 10 melhores museus do site TripAdvisor. Prestes a completar cinco anos de funcionamento, o museu contabiliza 400 mil visitas (cerca de 80 mil ao ano).

Além do acervo permanente, o espaço recebe a cada quatro meses uma exposição nova em seu hall. A próxima exposição temporária retratará os 90 anos do prédio Atheneuzinho. O espaço realiza ainda apresentações de música, lançamentos culturais e palestras.  “Cinco anos depois o fluxo de visitação se mantem, o que mostra que não foi uma obra de marketing. O Museu da Gente acaba sendo um polo de acontecimentos culturais, que vai além do acervo permanente e que faz com que as pessoas voltem inúmeras vezes”, finaliza Ezio.

O Museu da Gente Sergipana Governador Marcelo Déda funciona de terça a sexta-feira, das 10h às 16h, e aos sábados, domingos e feriados das 10h às 15h.

 Por Mirella Mattos, repórter da Secom

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