Nova espécie de pilombeta é catalogada por equipe da UFS

A pilombeta-pau, pescada no São Francisco, é pouco encontrada devido à salinização do rio

Pesquisadores da Universidade Federal de Sergipe descreveram uma nova espécie de peixe em catálogos reconhecidos mundialmente. A pilombeta-pau foi pescada entre Brejo Grande (SE) e Piaçabuçu (AL) pela equipe composta pelos professores do Departamento de Engenharia de Pesca José Milton Barbosa e Ana Rosa da Rocha Araújo, e pelas engenheiras de pesca Marina Feitosa Carvalho e Aline Gomes da Silva.

Registrado com o nome Anchoviela sanfranciscana, o peixe faz referência ao local onde foi encontrado, na foz do Rio São Francisco. Segundo o Atlas da Fauna Aquática de Sergipe e Adjacências, o peixe pertence à família Engraulidae, seu habitat é o costeiro-estuariano – que compreende o litoral e as águas do rio onde ele deságua no mar – e sua relevância econômica é média.

José Milton Barbosa: devido à salinização do São Francisco, a equipe não encontra a pilombeta-pau na foz há pelo menos seis meses (Foto: Dayanne Carvalho - Ascom/UFS)
José Milton Barbosa: devido à salinização do São Francisco, a equipe não encontra a pilombeta-pau na foz há pelo menos seis meses (Foto: Dayanne Carvalho – Ascom/UFS) José Milton afirma que a salinização do rio trouxe consequências para a pesquisa, já que

José Milton afirma que a salinização do rio trouxe consequências para a pesquisa, já que a equipe não encontra mais a pilombeta-pau na foz há pelo menos seis meses. O professor explica também que a pilombeta-branca é mais recorrente na região, chegando a ter dez vezes mais do que a pilombeta-pau, o que dificulta ainda mais o trabalho para encontrar a espécie.

Durante a catalogação para o atlas, os responsáveis perceberam que a descrição da espécie pescada não cabia nas chaves já existentes no acervo, fazendo-se necessária uma melhor investigação sobre a origem do peixe.

A pilombeta-pau estudada foi pescada na foz do rio São Francisco
A pilombeta-pau estudada foi pescada na foz do rio São Francisco

De acordo com Marina Carvalho, a espécie mais parecida com a encontrada seria a Anchoviella cayennensis, embora a comparação no artigo enviado seja com a Anchoviella lepidentostole, por ser encontrada no mesmo habitat. Por conta disso, foi necessária uma análise através de radiografias.

“Consegui uma radiografia da cayennensis no Museu de História Natural, nos Estados Unidos, a gente foi comparar as radiografias, porque os detalhes são minunciosos”, explicou Marina.

Os detalhes encontrados na sanfranciscana, citados para diferenciar as duas espécies, foram a faixa lateral prateada que apresenta uma linha marrom amarelada e é duas vezes maior que o diâmetro ocular e a distância da nadadeira dorsal para a anal, que é equivalente ao tamanho da dorsal.

Segundo Marina Feitosa Carvalho, a pilombeta-pau foi comparada à pilombeta-branca, por ser encontrada no mesmo habitat (Foto: Dayanne Carvalho - Ascom/UFS)
Segundo Marina Feitosa Carvalho, a pilombeta-pau foi comparada à pilombeta-branca, por ser encontrada no mesmo habitat (Foto: Dayanne Carvalho – Ascom/UFS)

A equipe enviou os registros de descrição para o Fish Base, um banco de dados onde os pesquisadores submetem suas descobertas para análise e aguardam sua publicação, que apresenta reconhecimento internacional. O World Register of Marine Species (WoRMS) e o Catalog of Fishes já reconheceram a sanfranciscana como uma descoberta dos engenheiros de pesca da universidade.

Marina explica que quando essas entidades citam a espécie pela primeira vez ou quando trazem o nome no título é preciso inserir o nome dos autores e o ano da descrição. Com isso, os próximos a citarem a espécie em seus trabalhos deverão usar a forma oficial reconhecida pelos catálogos e bancos de dados das espécies marinhas.

 

Distância entre as nadadeiras dorsal e anal diferencia a pilombeta-pau da pilombeta-branca (Anchoviella lepidentostole) - Fonte: trabalho dos autores
Distância entre as nadadeiras dorsal e anal diferencia a pilombeta-pau da pilombeta-branca (Anchoviella lepidentostole) – Fonte: trabalho dos autores

Aqui no Brasil, a descrição foi enviada ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e também foi publicada na Acta of Fisheries and Aquatic Resources, revista produzida pela Universidade Federal de Sergipe, editada pelo professor José Milton Barbosa.

 

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