Odeio o preconceito do Benedito!

Por Joaquim Vela

Com uma trilha sonora de altíssima qualidade, um elenco de peso e uma história há muito tempo não vista no horário das 21h, “Velho Chico” estreou essa semana como mais uma promessa para salvar a crise da teledramaturgia da Rede Globo. A novela inicia na década de 1960, no auge do movimento tropicalista, para contar a história de rivalidade entre duas famílias que disputam a posse de terras e o poder da cidade de Grotas de São Francisco, que fica às margens do rio de mesmo nome. O confronto entre os Sá Ribeiro e os Rosa atravessa gerações até chegar aos dias de hoje, quando um amor proibido entre os integrantes das duas famílias vem à tona para bagunçar todo esse drama.

Velho Chico
Foto: Divulgação

Infeliz foi Bendito Ruy Barbosa, supervisor do texto da novela, que durante uma entrevista ao jornal Extra sobre a novela, disparou: “odeio história de bicha. Pode existir, pode aceitar, mas não pode transformar isso em aula para as crianças. Tenho dez netos, quatro bisnetos e tenho uma puta orgulho porque são tudo macho pra cacete”. Que absurdo! Uma declaração pública com conteúdo altamente homofóbico.

As críticas surgiram logo depois. Aguinaldo Silva, renomado dramaturgo e homossexual assumido, foi um dos que respondeu ao colega pelo twitter: “isso teria a ver com alguma traumática história de sofá em priscas eras?” Com a mobilização do movimento LGBT para boicotar a novela, Aguinaldo acrescentou, alfinetando: “Sem essa de boicotar Velho Chico, sou contra. Afinal, a sobrevivência financeira de 3 gerações da família Ruy Barbosa depende dela”. A Globo também não se posicionou publicamente contra as falas do funcionário e preferiu pedir a ele que não se posicione diante de assuntos polêmicos. Que bola fora da emissora, que até vinha trabalhar com a inclusão da temática LGBT em suas produções.

Benedito ainda suou para justificar sua homofobia, com um festival de besteirol: “Não sou contra, não acho errado. O que acho é que (…) tenho que ter responsabilidade com as pessoas que estão me assistindo. Tenho que saber que tem muito pai que não quer que o filho veja, porque eles não sabem explicar”.

Não sou contra? Como assim? O que seria uma novela de bicha? Não há gays no sertão? O que significa ser “macho pra cacete”? Sexualidade não tem nada a ver com ser homem ou mulher. Que orgulho da família é esse? Uma família de gente preconceituosa? Aula para as crianças? Será que senhor não sabe que não se ensina ninguém a ser gay? Quando a luta LGBT defendeu que não é legal ser heterossexual? Esse é o típico pensamento equivocado, retrógrado, intolerante e preconceituoso. Como tratar com tranquilidade a questão da homossexualidade senão provocando a sua discussão dentro de casa? Se um pai quer blindar o seu filho da realidade, então que ele não veja televisão, aliás que ele coloque seu filho numa redoma de vidro.

É o preconceito está aí, em todo lugar. E vamos seguir lutando para combatê-lo. Vaias para Benedito!

OLHO: Quando a luta LGBT defendeu que não é legal ser heterossexual?

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