Há quase um ano da consumação do golpe, e o governo Temer continua aplicando equivocadas medidas impopulares, não por acaso, seu governo atingiu essa semana aprovação de apenas 5% da população, segundo pesquisas.

Planos de Demissão Voluntária (PDV) estão sendo oferecidos para os servidores públicos sob a justificativa de saída da crise, a fim de enxugar a máquina pública, como se pronunciou o ministro da Fazenda Henrique Meirelles. Em vez de aumentar o investimento público, o governo tem trabalhado para enxugar os recursos dos serviços públicos, o que pode estar diretamente relacionado à tentativa de enfraquecimento das empresas estatais bem como abrindo brechas para as privatizações destas (já que não se ouve falar em novos concursos públicos). A Petrobrás é um exemplo dessa situação, não bastasse o desgaste que a Operação Lava Jato tem provocado nas suas operações comerciais, a empresa tem enfrentado o contingenciamento de recursos, dentre eles a demissão voluntária, o que tem impedido de alavancar a maior e mais rica empresa estatal do país.

A educação é, não de hoje, outro setor que tem sofrido os cortes de investimento. As universidades públicas federais estão cada vez mais com dificuldades para manter suas estruturas funcionando e demitindo terceirizados. Ainda essa semana, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) se manifestaram, admitindo que a comunidade científica está sofrendo com o corte no orçamento de programas de mestrado e doutorado, bem como de pesquisas e estudos, incluindo aqueles de reconhecimento mundial.

Por um lado, essas medidas afetam diretamente a produção científica brasileira e expõem a precarização que o ensino público vem sofrendo desde a aprovação da Emenda Constitucional 95/2016 de congelamento dos investimentos em saúde, educação, ciência e tecnologia. Por outro, há a iniciativa privada que, não por acaso, com o enfraquecimento dos serviços públicos tem encontrado espaço para crescer com os serviços terceirizados.

A retirada de direitos é a bandeira permanente do governo golpista e sanguessuga: desde os direitos trabalhistas, o direito à educação pública e de qualidade até os serviços públicos diretamente relacionados aos setores importantes da economia brasileira. As saídas da crise econômica nas quais o governo justifica suas medidas impopulares são como enxugar gelo: penalizam o trabalhador e a trabalhadora em vez de propor um desenvolvimento econômico que enfrente a desigualdade de renda e execute reformas estruturantes que reparem as desigualdades sociais e históricas.

Cabe ao povo brasileiro e sergipano discutir sobre os impactos desse governo golpista e quais as saídas para enfrentar essa conjuntura de retrocessos. Um Plano Popular de Emergência está sendo proposto por um conjunto de organizações sociais e movimentos populares que compõem a Frente Brasil Popular. O Plano pontua medidas emergenciais como as eleições diretas, políticas de enfrentamento à crise econômica e que impulsionem a retomada da democracia brasileira.

Por isso, todos estão convidados a participar, dia 4 de agosto, as 18h, no auditório da CAASE (Travessa Martinho Garcez, nº 71, Centro), do lançamento do Plano Popular de Emergência em Sergipe, onde o povo sergipano disposto a lutar pela democracia se encontrará para orquestrar o trabalho dos diversos setores populares em torno de um projeto democrático e popular para o nosso Brasil.

1 COMENTÁRIO

  1. Depois que Temer e seu bando conspiraram contra o povo brasileiro e golpearam a Democracia, o Brasil se transformou em uma terra sem lei, sem governo e sem rumo, com a supressão cada vez mais impactante dos direitos e garantias constitucionais da classe trabalhadora, o desmonte de nossas mais prósperas indústrias e o esfacelamento do Estado social, tudo promovido de forma arbitrária e criminosa por um governo ilegítimo que tomou o Poder por meio de um golpe sujo e covarde, sem o voto popular.

    Um governo que não foi eleito pelo Povo não tem legitimidade para extinguir direitos do Povo.

    Tal como nos tempos do Fernando Henrique Cardoso, a História se repete, e o Brasil novamente se torna refém da sedenta burguesia, hoje representada por banqueiros, barões do agronegócio, industriais, possuidores de grandes fortunas e rentistas, além dos magnatas da mídia e de bilionários donos de empresas disfarçadas de igrejas evangélicas. Esses que hoje compõem as elites dominantes e que durante os governos Lula e Dilma atuaram nos bastidores do Congresso Nacional de forma velada, agora, após o Golpe de 2016 (que financiaram), lançam-se ostensivamente contra a Nação brasileira numa cruzada do mal, impondo ao país mudanças constitucionais perversas, que representam um verdadeiro retrocesso, como a reforma trabalhista, que importa a precarização do trabalho e que praticamente extingue a CLT; a terceirização, que suprime garantias da classe trabalhadora conquistadas ao longo de séculos, à custa de muita luta, e que certamente trará de volta a mão de obra escrava nos moldes do trabalho executado em séculos passados; a EC 95/16, que congelou por vinte anos as despesas primárias, inclusive com saúde e educação; a entrega criminosa a empresas francesas e norte-americanos, por valor irrisório, das áreas mais valiosas do pré-sal; e a reforma da previdência que pretendem aprovar ainda este ano. São algumas das medidas nocivas que Temer e seu grupo implementaram até aqui.

    Não bastasse tudo isso, foram aprovados cortes orçamentários no total de R$ 44 bilhões, que impactam principalmente o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o qual perderá R$ 7,4 bilhões em recursos; foram suspensos programas de financiamento atingindo sobretudo o programa Minha Casa Minha Vida; além disso, voltou à Câmara a Medida Provisória da regularização fundiária – MP 759 -, a qual se aprovada acabará com as políticas de distribuição de terra no país, o que beneficiará especialmente o agronegócio.

    Temer e seu bando de “tatuados” estão lesando de forma perversa e criminosa o povo brasileiro, principalmente a classe trabalhadora. E mesmo acuado e sem poder andar nas ruas, rejeitado por 95% da população, denunciado por crime de corrupção passiva, TEMER continua agindo dia e noite contra o povo brasileiro.

    Nem mesmo durante a ditadura militar houve uma ofensiva tão cruel e criminosa contra os direitos sociais como agora.

    Precisamos reagir, pacificamente que seja, mas precisamos reagir. Não podemos deixar que o país continue refém das canalhices e bandalheiras desses usurpadores, que são a minoria, em detrimento de nós outros, que somos milhões.

    Não podemos aceitar calados que o país continue dirigido por esse governo fascista, inimigo algoz do povo, que tomou o Poder por meio de um golpe sujo e covarde.

    Havemos juntos de buscar e encontrar alternativas e soluções para as nossas demandas mais imediatas, como o reaquecimento da economia e a geração de empregos, entre várias outras questões de interesse da sociedade. Por isso, nesta quinta-feira (4), compareça ao auditório da CAASE (Travessa Martinho Garcez, nº 71, Centro) e participe do lançamento do “Plano Popular de Emergência” em Sergipe, uma iniciativa da Frente Brasil Popular com a finalidade de debater propostas que indiquem saídas para a superação da crise política, econômica e social por que passa o país. O referido evento, para o qual todos estão convidados, se dará num ambiente democrático e plural, com a participação de movimentos populares, sindicais e religiosos. Participe, venha exercer a sua cidadania.

    Querem calar a nossa voz – a voz do povo -, mas não conseguirão.

    Vale aqui, por fim, lembrar Maiakovski, poeta russo, que escreveu:

    “Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim, e não dizemos nada.
    Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores,
    matam nosso cão e não dizemos nada.
    Até que um dia, entram em nossa casa e rouba-nos a lua,
    e conhecendo nosso medo, arrancam-nos a voz da garganta,
    e porque não dissemos nada [antes], já não poderemos dizer mais nada [depois].”

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