“Estamos pensando administrativamente, sem pensar no lado político”, afirmou o deputado André Moura (PSC-SE) na assinatura do contrato para a Prefeitura de Aracaju receber R$ 63 milhões da União.

No evento, ocorrido na última quinta-feira (21), o prefeito de Aracaju Edvaldo Nogueira (PCdoB-SE) complementou o raciocínio do líder do governo golpista de Michel Temer (PMDB) na Câmara. “Quem se aproveitará desta emenda não sou eu, nem o deputado André Moura. Mas sim o povo, que é quem mais precisa”, ressaltou.

Ambos fazem política em nome da não política. Diga-se de passagem, uma forma perigosíssima de fazer política. Defendem que são só questões administrativas. Pois bem. Reforçando a expressão do jornalista Adiberto de Souza, a Prefeitura de Aracaju estendeu o tapete vermelho para o deputado federal André Moura (PSC). Uma baita decisão política.

A liberação dos R$ 63 milhões para obras na capital foi resultado de uma emenda impositiva da bancada de Sergipe. Ou seja, foi referendada por todos os oito deputados federais e os três senadores de Sergipe. Mas o tapete vermelho não foi estendido para todos do mesmo jeito. Nas palavras de Edvaldo Nogueira, todo o reconhecimento e bajulação da ação “não política e beneficente” de André Moura. “Este é o resultado de um trabalho conjunto, com o apoio de todos os deputados federais e senadores de Sergipe, que assinaram a emenda coletiva, e graças ao empenho do líder do governo, André Moura, que conseguiu a liberação dos recursos em tempo recorde”, afirmou o prefeito.

André está fazendo um grande novo parceiro político, o prefeito Edvaldo Nogueira. As trocas de carinhos não vêm de hoje. Edvaldo, desde o início desta gestão, nunca fez questão de esconder como seria suas ações políticas em Brasília. Sentar e negociar com os líderes do governo federal irrestritamente. O prefeito logo percebeu que para acessar recursos mais volumosos da União precisaria comer na mão de André Moura, a mando de Temer.

Mas quais líderes? Que governo? Nos transparece que para Edvaldo não tem muita diferença. Afinal, “ele tem uma cidade para administrar”. Daí estender o tapete vermelho ao amigo de Cunha é necessário para esse tipo de política. Não importa, por exemplo, que os direitos trabalhistas estejam sendo estraçalhados pelas mãos de André Moura, Temer e seus comparsas ou que esses mesmo congelaram o orçamento da saúde e da educação por 20 anos ou a sanha em acabar com a aposentadoria dos brasileiros.

Lembremos que o prefeito Edvaldo se elegeu num momento de consolidação do Golpe no Brasil. Enfrentou os candidatos do golpismo, inclusive o próprio André em apoio à Valadares Filho. Numa luta política intensa, o povo em mobilização contra os ataques golpistas foi decisivo na vitória eleitoral de Edvaldo.

Mas será que mesmo assim Edvaldo se rendeu ao golpista Temer? Pregando a “não política” e em nome das questões administrativas, Edvaldo vai se definindo politicamente.

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