Por uma Internet sem limites!

*Por Durval Siqueira Sobral

A partir do “Bum” nas vendas de smarthphones, tablets e notebooks, e da diversidade de planos de dados oferecidos aos consumidores, foi possível ver uma maior democratização no acesso a informações, multimídias e aplicativos de redes sociais. Em números, mais da metade dos brasileiros já está conectada à internet. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a proporção de internautas no país é de 54,4% do total da população (As informações fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) referente a 2014). Além disso, dados da Anatel indicam que o Brasil terminou Fevereiro de 2016 com 258,1 milhões de celulares. O Brasil segundo dados divulgados pela Telecom, é atualmente o 5° país com maior número de celulares ativos e o 9° em assinaturas de banda larga.

A internet no Brasil e no Mundo, tem modificado a forma das pessoas verem o cotidiano, os grandes acontecimentos, isso graças a dois fatores: o acesso a notícias/conteúdo no exato momento do acontecimento e a interação com esse conteúdo.

No primeiro fator, a informação que chegava para as pessoas era completamente planificada, você assinava um jornal com todas as suas supostas verdades e sua televisão só tinham apenas 5 canais. A informação chegava até você de forma unilateral, sem que você pudesse se expressar e interagir. O acesso era mínimo, atrasado e parcial. Adivinhe nessa época você, seus pais e meus avós eram pessoas completamente manipuladas (não que isso tenha mudado muito).

No segundo fator, imaginem-se antigamente, as pessoas debatiam as questões políticas, econômicas e sociais em raros momentos. Imagine seus avós, como eles acessavam esse conteúdo?  Ou trazendo para uma realidade mais próxima, imagine seus Pais. Antes a política era feita de forma analógica, conversávamos somente com um pequeno grupo restrito de pessoas, nossos familiares e amigos mais próximos. A política acontecia nas praças públicas e em locais onde as pessoas poderiam se socializar e reclamar ou opinar sobre as ‘coisas públicas da vida’. Muitas vezes, ou quase todas as vezes, nossa capacidade de intervenção na realidade econômica, política e social, se reduzia a isso. Esse mundo era restrito.

Hoje a forma como lidamos com a tecnologia e o acesso a conteúdo expressa quem somos e o que queremos. Nesse modo de vida temos a possibilidade de que com 2 ou 3 clicks escolhamos o que queremos assistir, ouvir, comentar ou ler. Atualmente o brasileiro passa em média 5 horas e 26 minutos por dia, na internet via computador ou tablet e mais outras 3 horas e 46 minutos conectado pelo celular (Estudo feito pela agencia internacional We Are Social). Ligando com a importância da intervenção da sociedade civil, suas entidades e movimentos sociais que trabalham dentro dela, vemos o quão é importante a internet. Tanto no que tange as manifestações as redes sociais e a internet de um modo geral tem contribuindo de três formas:

  • Organização, agendamento das passeatas;
  • Divulgação das manifestações e das causas do movimento;
  • Esclarecimento da população sobre os fatos (tópico principal)

Constando isso, na contra mão da democratização da informação e do acesso à internet as operadoras Vivo (GVT), Tim, Oi e Claro (NET) querem limitar a quantidade de dados no uso de seus planos de internet fixa. Basicamente, querem que a banda larga seja como os dados móveis do seu celular. Aqueles que ultrapassarem o limite estipulado sofrerão uma redução na velocidade de rede e poderão ter sua internet cortada até o próximo mês. Essa atitude antes de tudo é antidemocrática e medieval do ponto de vista do papel que o Brasil desempenha no mercado e nos números de acessos à internet (vide todos os dados e estudos já citados). Ainda somos o 89° país em de velocidade de acesso à internet numa escala mundial.

Sendo assim ficam alguns questionamentos. Como será a vida daqueles que estudam, através dos vlogs como o Descomplica, Me Salva ou Biologia Total para o Enem e Concursos em geral? Ou até o próprio ensino EAD de matérias Online? Como será a vida daqueles assistem a TVT, a TV Folha, TV Estadão dentre outros, para se informar? Ou utilizam o serviço de músicas oferecido pelo Spotify ou Google Play Music? Ou pior, uma série, um filme ou um documentário no NETFLIX. Isso sem falar das redes sociais. Do lazer para o estudo, do conhecimento para o entretenimento, teremos restrições.

Esse grande monopólio de empresas está junto para encampar a luta deles: a manutenção das suas taxas de lucro e queda no acesso e qualidade no nosso País. Com certeza, eles têm representação e força no Congresso Nacional tanto através dos financiamentos de campanha eleitoral de 2014, como pelo belo Lobby que fazem nos gabinetes dos nossos falsos representantes (lembremo-nos da luta pelo Marco Civil da internet). A equação fecha em: Querem limitar o mundo, querem restringi-lo.

A pergunta que fica diante dessa situação é: Como lutar contra essa restrição?

*Durval Siqueira Sobral é estudante de Direito e membro do Levante Popular da Juventude

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