Praça Assis Chateaubriand, a popular Praça do Galego

Foto: Google Maps/Google Earth

A Praça Assis Chateaubriand é uma praça muito conhecida pelos aracajuanos, mas não por sua toponímia correta e sim pelas populares. A praça tem vários nomes populares: Praça do Haiti”, por ter uma loja famosa de vestidos de noivas nas proximidades com o nome do país caribenho; Praça do “English Planet”, por nela localizar a escola de inglês citada; Praça do “Açaí Aju”, por nela ficar um estabelecimento de lanches e açaí na tigela famoso em nossa capital. Porém, o mais famoso termo para o logradouro é a Praça do “Galego”, pois há mais de 15 anos existe uma famosa lanchonete de Aracaju, o Galego Lanches, que é conhecido por todos e todas por seu molho saboroso, seus sanduíches  e o atendimentos até altas horas da madruga, matando a fome de inúmeros festeiros de nossa cidade, principalmente nos grandes eventos de nossa terra. Mas o nome correto é Praça Assis Chateaubriand. Quem foi Assis Chateaubriand? E por que esse nome? 

Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello, mais conhecido como Assis Chateaubriand ou Chatô, nasceu em Umbuzeiro-SP, em 4 de outubro de 1892, foi um jornalista, empresário, mecenas e político, destacando-se como um dos homens públicos mais influentes do Brasil nas décadas de 1940 e 1960. Foi também advogado, professor de direito, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras. 

Chateaubriand foi um magnata das comunicações no Brasil entre o final dos anos 1930 e início dos anos 1960, dono dos Diários Associados, que foi o maior conglomerado de mídia da América Latina, que em seu auge contou com mais de cem jornais, emissoras de rádio e TV, revistas e agência telegráfica. Ele foi o primeiro monopolizar a mídia do nosso BrasilTambém é conhecido como o cocriador e fundador, em 1947, do Museu de Arte de São Paulo (MASP), junto com Pietro Maria Bardi, e ainda como o responsável pela chegada da televisão ao Brasil, inaugurando em 1950 a primeira emissora de TV do país, a TV Tupi.

Foi Senador da República entre 1952 e 1957. Uma figura polêmica e controversa, odiado e temido, Chateaubriand já foi chamado de “Cidadão Kane” brasileiro, e acusado de falta de ética por supostamente chantagear empresas que não anunciavam em seus veículos e por supostamente insultar empresários com mentiras, como o industrial Francisco Matarazzo Jr.. Seu império teria sido construído com base em interesses e compromissos políticos, incluindo uma proximidade tumultuada porém rentosa com o Presidente Getúlio Vargas. 

Em fevereiro de 1960, Assis Chateaubriand foi acometido de uma trombose. Morreu em 4 de abril de 1968, em São Paulo, depois da pertinaz doença, a que ele resistiu por longos anos, continuando, mesmo paraplégico e impossibilitado de falar, a escrever seus artigos. Foi velado ao lado de duas pinturas dos grandes mestres: um cardeal de Velázquez e um nu de Renoir, simbolizando, segundo seu protegido, o arquiteto italiano e organizador do acervo do MASP Pietro Maria Bardi, as três coisas que mais amou na vida: O poder, a arte e a mulher pelada. Seu cortejo fúnebre reuniu mais de 60 mil pessoas pelas ruas de São Paulo. Está sepultado no Cemitério do Araçá na cidade de São Paulo.

No mesmo ano da morte de Assis Chateaubriand, o prefeito nomeado pela ditadura José Aloísio de Campos determinou o nome do triangular espaço público entre as rua Construtor João Alves, Américo Curvelo, Professor Figueiredo Martins e Urquiza Leal no bairro Salgado Filho passeasse a se chamar Praça Assis Chateaubriand, através da Lei n. 45/68 de 29 de novembro de 1968. Logo no início a praça era um descampado cercado de sítios e poucas casas. Um local ermo que só terá feições de uma praça pública na gestão de outro prefeito biônico da ditadura, Cleovansóstenes Pereira de Aguiar em 1972 e só recebendo outra reforma já na gestão do prefeito José Almeida Lima em 1996, reforma essa que determina os traços paisagísticos que a praça tem hoje.

Agora já sabe um pouca da história da praça e de seu nome ao usufruir deste espaço público tão famoso no Centro-Sul da nossa cidade.

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Discente de História na Universidade Federal de Sergipe. Estagiou no Museu do Homem Sergipano e na Biblioteca Pública Epifânio Dória

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