Professoras e professores aposentados: “Nós só temos sofrimento”

Foto: Sintese

Contas atrasadas, juros em cima de juros, vida financeira totalmente desestruturada, impossibilidade de ajudar os entes queridos. Em resumo, um sofrimento. Essa é a realidade de professoras e professores aposentados que externaram seu sofrimento nesta terça-feira (11), na Via Crucis realizada pelo SINTESE nas ruas do conjunto Leite Neto em direção do Palácio de Despachos.

“As professoras e professores utilizando a simbologia do calvário de Jesus Cristo na Semana Santa dialoga com a sociedade sobre o sofrimento que vem passando nos últimos dois anos com a falta de pontualidade no pagamento dos proventos”, disse Ângela Melo, professora aposentada integrante da direção do SINTESE e também da CUT Nacional.

Ela explica que ao não receber dentro do mês os aposentados e aposentadas ficam inseguros, pois também não há data certa para o pagamento. “Em alguns meses recebemos dia 10, 12, 13 e até 17, não há organização financeira que aguente tanta incerteza”, completa.

Praticamente todos os dias chegam ao sindicato aposentados e aposentadas com problemas decorridos a partir do atraso no pagamento dos proventos. “Muitos detêm a principal renda de suas casas e não podem contar com a ajuda de familiares. Já conversei com diversos colegas que tiveram seus problemas de saúde piorados”, disse Ana Geni Andrade, dirigente do Departamento de Aposentados do SINTESE.

A deputada Ana Lúcia esteve no ato e destacou a política estadual de desmonte da escola pública e também destruição da carreira dos professores. “Além de não receber dentro do mês, os aposentados e aposentadas do magistério estão com seus salários congelados, pois são quatro anos sem reajuste do piso na carreira”.

As cruzes deixadas no Palácio de Despachos representam o sofrimentos dos aposentados e aposentadas do magistério da rede estadual
As cruzes deixadas no Palácio de Despachos representam o sofrimentos dos aposentados e aposentadas do magistério da rede estadual

Desde 2015 que os aposentados e aposentadas vivem essa angústia. Até a metade do ano de 2015 eram os primeiros a receberem, depois passaram para o último dia do calendário. Tiveram seus proventos parcelados e agora não recebem mais dentro do mês como preconiza a legislação que regulamenta o Sergipe Previdência.

“Esse governador golpista não se importa com os aposentados e aposentadas. Nossa vida está totalmente bagunçada. É muita angústia, muito sofrimento, governador tenha pena de nós”, disse emocionada a aposentada Ana Lúcia dos Santos, do município de Itabaiana.

A jornada de atos que começou mês passado irá continuar. “Se no final de abril as professoras e professores aposentados não tiverem recebido seus proventos, no mês de maio acontecerão novos atos”, disse o vice-presidente do SINTESE, Roberto Silva dos Santos.

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