Projeto de ‘reforma’ trabalhista passa na comissão e vai a plenário

Oposição afirma que mudanças privilegiam os interesses dos empresários e vão prejudicar trabalhadores e fragilizar sindicatos. Laércio Oliveira (SD/SE) votou a favor 'reforma' trabalhista pela terceira vez seguida em menos de uma semana

J.Batista/Câmara dos Deputados

A comissão especial da Câmara que discute a “reforma” trabalhista aprovou na tarde de hoje (25), por 27 votos a 10, o substitutivo ao Projeto de Lei 6.787, elaborado pelo relator, deputado Rogério Marinho (PSDB-RN). Ainda seriam votados 25 destaques, mas o colegiado remeteu a discussão para o plenário, sob novos protestos da oposição. O projeto deverá ser votado no plenário da Casa entre amanhã e quinta-feira. A oposição questionou o texto e afirmou que a proposta agora aprovada privilegia os interesses do capital, prejudica trabalhadores e fragiliza a representação sindical.

O deputado Wadih Damous (PT-RJ), por exemplo, afirmou que o substitutivo apresenta um conceito inédito: o do “princípio protetivo do empregador”. Para Carlos Zarattini (PT-SP), o país irá assistir a uma “degradação do emprego”. Era uma resposta ao argumento governista de que a reforma vai facilitar a criação de postos de trabalho. “Esse projeto atende a setores empresariais e agride os direitos dos trabalhadores”, criticou Chico Alencar (Psol-RJ). Já o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) afirmou que a reforma criará um “clima de confiança” entre trabalhadores e empregados.

Para o líder do PPS, Arnaldo Jordy (PA), a discussão ainda precisa continuar. “Precisamos compreender que o Brasil é um país profundamente desigual. Existe ainda trabalho análogo ao escravo e existe o ABC, em São Paulo, com relações modernas. Há dois anos apenas conseguimos aprovar a lei laboral das trabalhadoras domésticas.” Mesmo com a crítica, ele disse que o partido votaria a favor na comissão, mas “sem juízo de mérito no plenário”.

Orientaram a aprovação do substitutivo as lideranças de PMDB, PSDB, PP, PR, PSD, DEM, PRB, PTB, PTN, PSC, PPS, PV, Pros e PSL. Pelo não, PT, PDT, PCdoB, Psol e PEN. Apesar de o partido ter “fechado questão” contra as reformas trabalhista e da Previdência, o PSB liberou a bancada na votação.

“Quem tem uma visão moderna de capitalismo deveria defender condições de trabalho mais adequadas”, contestou Henrique Fontana (PT-RS). “Se a CLT fosse a causa do desemprego, nós não teríamos chegado ao menor nível de desemprego no Brasil em fins de 2014, com a CLT em plena vigência. O que gera emprego é política econômica correta.”

“Quem está dizendo que essa reforma vai beneficiar o trabalhador está mentindo. É um ataque aos direitos trabalhistas”, acrescentou Alessandro Molon (Rede-RJ). “Esse substitutivo tem lado.”

Helder Salomão (PT-ES) disse que participou de todas as audiências públicas sobre o tema, mas afirmou que muitos deputados governistas só apareceram para votar o substitutivo e encerrar o debate. Ele também contestou o argumento governista sobre uma suposta relação entre “modernização” e criação de vagas. “Em nenhum país que teve flexibilização das leis trabalhistas houve aumento de emprego. É uma falácia.”

O relator informou que, de 447 emendas recebidas até ontem, rejeitou 412, acatou 17 e aceitou parcialmente 18. Ele concordou em retirar do item sobre trabalho intermitente categorias que têm legislação específica. Outro tema polêmico refere-se ao trabalho de gestantes ou lactantes em ambientes insalubres, hoje proibido – Marinho quer liberar a atividade mediante a apresentação de um atestado médico.

Confira os nomes dos 27 deputados da comissão que votaram a favor do projeto.

Alfredo Kaefer (PSL-PR)

Arnaldo Jordy (PPS-PA)

Aroldo de Oliveira (PSC-RJ)

Bilac Pinto (PR-MG)

Carlos Melles (DEM-MG)

Celso Maldaner (PMDB-SC)

Daniel Vilela (PMDB-GO)

Eli Corrêa Filho (DEM-SP)

Elizeu Dionizio (PSDB-MS)

Evandro Gussi (PV-SP)

Fabio Garcia (PSB-MT)

Goulart (PSD-SP)

Herculano Passos (PSD-SP)

Jerônimo Goergen (PP-RS)

Laercio Oliveira (SD-SE)

Lázaro Botelho (PP-TO)

Luiz Nishimori (PR-PR)

Magda Molfatto (PR-GO)

Mauro Pereira (PMDB-GO)

Nelson Marquezelli (PTB-SP)

Renata Abreu (PTN-SP)

Rogério Marinho (PSDB-RN)

Ronaldo Carletto (PP-BA)

Silas Câmara (PRB-AM)

Toninho Wandscheer (Pros-PR)

Valdir Colatto (PMDB-SC)

Vitor Lippi (PSDB-SP)

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