Que bloco é esse?

O PT de Sergipe e as eleições de 2018

Foto: Divulgação

Neste período de carnaval, um assunto ocupa boa parte das conversas entre amigos, famílias e colegas de trabalho: os blocos (ou “bloquinhos”) que, de forma crescente e com irreverência, ocupam todos os cantos da capital. É no Inácio Barbosa, na Orla, no Centro, na Zona Norte… Há blocos para todos os públicos e por toda Aracaju.

Mas há blocos também de outro tipo que, mesmo no carnaval, não deixam de estar presente no debate público: os blocos políticos. Nada mais natural, afinal em ano de eleições, como é o caso de 2018, as movimentações coletivas e individuais expõem as potencialidades e fragilidades desses blocos e, em muitas vezes, alteram o xadrez da política local.

Aqui, quero tratar da relação entre um partido e um bloco político específicos: o PT e o bloco de sustentação ao Governo de Jackson Barreto/Belivaldo Chagas.

Compondo o Governo Estadual desde 2006, inicialmente tendo o próprio Governador e liderando durante anos a coalizão governista, o PT é atualmente, do ponto de vista administrativo, um partido com baixa presença e influência no Executivo Estadual. Institucionalmente, ocupa duas secretarias – Agricultura e Meio Ambiente – e espaços em outros órgãos, mas as posições e compromissos históricos do partido têm pouquíssimo impacto no conjunto da administração estadual.

Do ponto de vista político, a situação é ainda mais grave. As movimentações do Governador Jackson Barreto, de aproximação com lideranças políticas da elite sergipana, com partidos historicamente alinhados à retirada de direitos e com apoiadores/defensores do golpe contra a Presidenta Dilma, a exemplo do líder no Congresso do governo golpista, André Moura, já desconfiguraram o bloco que garantiu a vitória de Marcelo Déda em 2006.

De um bloco de centro-esquerda, com políticas e ações de um projeto democrático e popular, o que se visualiza atualmente é um bloco que caminha a passos largos para sua consolidação no espectro político da centro-direita, com políticos como Laércio Oliveira, André Moura, a família Franco, dentre outros.

Também no que diz respeito à política em si, as constantes declarações públicas de dirigentes do MDB, a exemplo de João Augusto Gama, negando a contribuição histórica do PT para a transformação social do Brasil e criminalizando a principal liderança do Partido dos Trabalhadores, Lula, são claras sinalizações de que o bloco iniciado em 2006 há muito não é mais o mesmo.

Frente a este quadro, e com perspectiva inclusive da própria sobrevivência política em Sergipe, com influência nos rumos do estado compatível com a capacidade e militância que tem, fará bem ao PT romper com o bloco de sustentação do governo Jackson/Belivaldo e apresentar uma chapa majoritária nas eleições estaduais de 2018. A alternativa contrária seria um passo determinante para o suicídio político do PT.

Neste sentido, acertou na tática política a Articulação de Esquerda ao apresentar para o conjunto do partido e da sociedade as pré-candidaturas de Professor Dudu ao Governo de Sergipe e Joel Almeida ao Senado. Em meu entender, cabe agora ao PT traçar estratégias para o seu afastamento do bloco atual e o seu fortalecimento político, social e eleitoral, afinal, respondendo ao “que bloco é esse?”, cantado pelo Ilê Aiyê, acredito que a melhor resposta é: “não é o do PT”.

Paulo Victor, jornalista e militante do PT. Texto escrito em 8 de fevereiro de 2018

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