Reportagens da série ‘Envenenados’ mostram os diversos efeitos nocivos dos agrotóxicos

Série especial com sete reportagens da Rádio Brasil Atual tratam de casos emblemáticos envolvendo uso de substâncias, toleradas no Brasil, que afetam a saúde e o meio ambiente

SILVANETO CARIRI/CC

Rádio Brasil Atual apresentou a série de reportagens “Envenenados”, que trata do emprego de agrotóxicos pelo agronegócio brasileiro e seus múltiplos efeitos nocivos para a saúde, o meio ambiente, os trabalhadores, comunidades indígenas, em um país que é campeão mundial no uso desse tipo de substância.

Os episódios apresentam casos emblemáticos ocorridos nos estados de Goiás, Mato Grosso, São Paulo, Ceará e Rio Grande do Sul. Na segunda-feira (17), foi apresentada a primeira matéria, que mostrou como está hoje a comunidade de Lucas do Rio Verde (MT), banhada por uma verdadeira chuva de agrotóxicos em 2006. “O que vale mais, um saco de soja ou a vida do ser humano?”. pergunta Julio Valêncio da Luz (foto), chacareiro do município e uma das vítimas do procedimento.

Graças à luta da comunidade a pulverização aérea não atinge mais o perímetro urbano, mas continua nas agrovilas. Venenos proibidos ainda são utilizados na região. Confira este e os outros seis capítulos da série de reportagens, encerrada nesta terça-feira (25). As reportagens são de Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual.

1. ‘O que vale mais, um saco de soja ou a vida do ser humano?

2. Agrotóxicos que contaminam o Xingu poluem rios do Paraguai e Argentina

A morte de quatro crianças Xavante, da terra Marãiwatséde, em 2014, no Parque Nacional do Xingu, desencadeou na Universidade Federal de Mato Grosso uma pesquisa que investiga a suspeita de intoxicação por agrotóxicos. O professor Wanderlei Pignati (foto), da UFMT, afirma que os agrotóxicos que poluem os rios do Xingu passam pelo Paraguai e chegam a Buenos Aires. 

3. Crime contra líder comunitário que lutava contra agrotóxicos continua impune

No terceiro capítulo, o assassinato do líder comunitário José Maria Filho, o Zé Maria do Tomé, que lutou contra a pulverização aérea de agrotóxico, na região do Apodi (CE). O crime ocorreu há sete anos e continua impune. No estado, pesquisadores investigam casos de desenvolvimento de mamas em crianças com menos de 2 anos de idade. Suspeitam que a puberdade precoce seja provocada seja efeito de agrotóxicos.

4. Mecânico do RS contaminado por agrotóxico morre sem tratamento digno

A via-crúcis do mecânico José Maria Struck, conhecido como Zecão, do município gaúcho de Encruzilhada do Sul, é retratada no quarto capítulo da série. A reportagem conta o agrotóxico transformou a vida do seu Zecão. 

5. Interior de SP registra até 1.000% mais casos de câncer que cidades industrializadas

Especialistas constatam incidência de câncer no interior de São Paulo muito superior à de cidades industrializadas. Por causa do agronegócio, em muitos municípios brasileiros beber água pode significar a ingestão de agrotóxicos. “Nossos gestores não reconhecem a contaminação como questão de saúde pública”, afirma o defensor público Marcelo Novaes (foto). 

6. ‘Crianças atingidas por chuvas de agrotóxicos estão abandonadas’

Crianças, adolescentes e professores de um assentamento em Goiás ainda sofrem com os efeitos da pulverização aérea que atingiu a escola há 4 anos. O professor Hugo Alves dos Santos (foto), foi ameaçado de morte por reivindicar atendimento adequado aos alunos atingidos pela chuva de veneno.

7. Sobreviventes do caso Shell-Basf ainda convivem com efeitos dos agrotóxicos

O sétimo e último episódio da série “Envenenados” revela como estão hoje trabalhadores da antiga fábrica de agrotóxicos da Shell, em Paulínia, interior de São Paulo. O caso Shell-Basf é emblemático por ter resultado na maior indenização trabalhista homologada pela Justiça do Trabalho no Brasil.

FonteRede Brasil Atual
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