Saúde do trabalhador é tratada com psicologia no Hospital de Urgência de Sergipe

O Programa Saúde do Trabalhador é uma alternativa para que os profissionais afetados possam falar do mal estar antes que surjam os sintomas.

Foto: Victor Ribeiro/ ASN

Angústia, ansiedade, depressão, falta de esperança, tristeza. Esses são os principais sintomas que levam alguns trabalhadores do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) a procurarem o Programa de Saúde do Trabalhador, um serviço que disponibiliza atendimento gratuito de um psicólogo para aqueles profissionais que, por algum motivo, passam por um processo de adoecimento seja por questões familiares, financeiras, sociais, profissionais ou afetivas.

O trabalho de saúde mental no hospital é importante porque o ambiente hospitalar não é um ambiente comum de trabalho, é um local que trata de questões de vida, adoecimento, morte, colocando o trabalhador numa relação que não é comum no seu cotidiano. De acordo com o psicólogo da Humanização do Huse, Dirceu Betti, esse ambiente hospitalar gera um estímulo para o adoecimento.

“O ambiente hospitalar necessita de um espaço de trabalho para atender os trabalhadores, porque os profissionais que vêm para o hospital eles não passam por um processo de preparação, muitos saem de suas faculdades e cursos técnicos e vêm trabalhar num hospital e se depara com essa realidade que não é do cotidiano. Isso acaba impactando, e o que eles não conseguem verbalizar, surge no corpo em forma de sintomas. Quando o trabalhador começa a se queixar de perda de humor, insônia, perda de interesse, tristeza, angustia, entre outros, já é a expressão desse impacto”, explicou.

O Programa Saúde do Trabalhador é uma alternativa para que os profissionais afetados possam falar do mal estar antes que surjam os sintomas. Na maioria das vezes, o profissional só procura o serviço quando o sintoma já está instalado. A proposta do Programa de Saúde do Trabalhador é pensar na prevenção dos sintomas e fazer com que o profissional perceba que precisa cuidar de aspectos como o lazer e o afetivo.

O psicólogo ressalta que a sobrecarga de trabalho também contribui para esse adoecimento. “Quando eu falo que o hospital proporciona isso, eu não estou dizendo que é o único, mas precisa cuidar do lazer, do aspecto afetivo, tem gente que não trabalha só em um hospital, tem gente que em outro horário está em outra clínica, outra atividade e acaba tendo uma sobrecarga de trabalho e isso afeta na vida social, tem pouco contato com a família, o contato afetivo começa a se distanciar, eles acabam ficando sem escapatória para o adoecimento”, disse.

A Saúde do Trabalhador do Huse está organizada dentro de um protocolo de atendimento, eles chegam por demanda espontânea, são agendados e atendidos semanalmente por um psicólogo e nesses atendimentos eles se dão conta do seu processo de adoecimento. A psicoterapia trabalha com a fala, é nessa fala que ele vai explicar sobre os sintomas e se dar conta do processo.

FonteASN
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