Sergipe: Mulheres organizam luta contra a Reforma da Previdência

Mulheres de diversos movimentos sociais e sindicais farão atos públicos em todo o estado no dia 8 de março com o tema: "Mulheres organizadas contra a Reforma da Previdência"

Por Daniela Bento*

Embaladas pelo sentimento de luta entoado no grito de guerra: “A previdência é nossa ninguém tira ela da Roça”, aconteceu no ultimo sábado, 04, no Centro de Formação Canudos, localizado no Assentamento Moacyr Wanderlei, no município de Nossa Senhora do Socorro, um espaço de formação como etapa preparatória das mobilizações do 8 de Março, que nacionalmente vem assumindo o Lema: “Mulheres organizadas contra a Reforma da Previdência”.

Nesse sentido o foco principal desse momento foi aprofundar o debate sobre os impactos na vida das trabalhadoras rurais e da cidade, caso a reforma seja aprovada, foi realizada uma roda de conversa com a advogada do coletivo jurídico do Movimento dos Pequenos Agricultores/as (MPA), Ramielli Rafael.

O encontro contou com a participação de aproximadamente 60 mulheres de vários territórios e movimentos, redes e articulações

Além do debate sobre a previdência, o momento foi também para consolidar as pautas estaduais e socializar os diversos atos que acontecerão no dia 08, em várias regiões de Sergipe. Em uma tentativa de massificar a luta contra a Reforma da Previdência, as mulheres de diversos movimentos sociais e sindicais estarão ocupando as ruas e praças em vários pontos do estado de Sergipe.

No Sul Sergipano a mulherada fará seu ato na Praça da Matriz da Cidade de Estância, além da pauta nacional as mulheres reivindicam a conquista de Centro de Referência da Mulher. O Alto Sertão terá como ponto de concentração a sede do INSS, localizado em Nossa Senhora da Glória e de lá seguirá em marcha pelas ruas e terá mais duas paradas, uma em frente a Companhia de Saneamento de Sergipe – Deso, onde acontecerá ato contra a privatização desse órgão, e segue para o escritório da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe – EMDAGRO, onde exigirão ações de convivência e enfrentamento aos efeitos da seca.

Em Aracaju, o grito das mulheres contra a Reforma, iniciará na Praça Camerino, localizada no centro da cidade e seguirá em marcha até sede da previdência onde se encontrarão com as mulheres do Sertão Ocidental.

Ainda acontecerão mais atos em Lagarto, Neópolis, Canindé de São Francisco e Indiaroba.

Leia na íntegra a nota lançada pelos movimentos:

8 de Março: Mulheres organizadas contra a Reforma da Previdência

Em mais um ano, estamos nas ruas no Dia Internacional de Luta das Mulheres para denunciar a violência contra as mulheres, a perda de direitos e a não garantia de políticas públicas que nos assegurem uma vida digna.

No Brasil, a perda de direitos sociais e trabalhistas atinge sobretudo as mulheres, quando propõe igualar a idade de homens e mulheres para 65 anos, com 25 anos de contribuição. Desta forma, as trabalhadoras rurais, que se aposentavam com 55 anos, precisarão trabalhar 10 anos a mais. Equiparar a idade de homens e mulheres para a aposentadoria é desconsiderar a tripla jornada de trabalho das mulheres.

Convocamos todas as mulheres, meninas, transgêneros, estudantes, trabalhadoras, desempregadas, aposentadas, do campo e da cidade, para participar das ações do Dia Internacional de Luta das Mulheres: dia de lutas em defesa dos nossos direitos e contra a reforma da Previdência Social.

Por isso nós mulheres estamos nas ruas:

– Para lutar contra a Reforma da Previdência Social do governo golpista e ilegítimo que pretende retroceder os direitos das trabalhadoras e trabalhadores;

– Para denunciar essa Reforma da Previdência Social que desconsidera a tripla jornada de trabalho das mulheres, equiparando a idade da aposentadoria entre homens e mulheres;

– Para lutar pela igualdade de salários, visto que uma mulher ganha, em média, 27% menos para desempenhar a mesma função que um homem;

– Para denunciar a violência contra a mulher. O Brasil tem quinta maior taxa de feminicídios do mundo (são 13 mortes por dia!), e está entre os piores países do mundo pra se nascer mulher;

– Pela construção de creches em Aracaju e outras cidades do estado conforme a grande demanda de mães que precisam trabalhar e não tem onde deixar seus filhos;

– Pela garantia de políticas públicas de combate à violência contra a mulher como a ampliação e melhoria no atendimento às comunidades pelo Ônibus Lilás, a humanização dos atendimentos realizados nas Delegacias Regionais da Mulher e construção da Casa da Mulher Brasileira que fará o atendimento às mulheres em situação de violência;

– Por políticas de estruturação do campo que garantam o enfrentamento à seca que está atingindo todo o estado;

– Para denunciar o desmonte e consequente privatização da DESO;

Aposentadoria fica, Temer sai!
A Previdência é nossa, ninguém tira ela da roça!
Nenhuma a menos!
Mulheres exigem Diretas Já!

ASSINAM

FRENTE SERGIPANA BRASIL POPULAR, VIA CAMPESINA, MST, MMM, UGT, MOTU, LEVANTE POPULAR DA JUVENTUDE, CONSULTA POPULAR, MCP, MPA, COLETIVO MULHERES LIVRES, SECRETARIA DE MULHERES DO PT, CUT, MMC, SINTESE, MAIS, NOS, INSURGENCIA, PSOL, COLETIVO DE MULHERES DE ARACAJU, SINTESE PELA BASE, COLETIVO FEMINISTA-CLASSISTA ANA MONTENEGRO, COLETIVO DE MULHERES DO SENGE, PCB, AUTO ORGANIZAÇÃO DE MULHERES NEGRAS REJANE MARIA, MOVIMENTO NÃO PAGO, RUA, UJC, BRIGADAS POPULARES MANOEL RAMOS, MOVIMENTO QUILOMBOLA DE SERGIPE, MOVIMENTO DE MULHERES MARISQUEIRAS, CDJBC, COLETIVO DE COMUNICADORES POPULARES, ASSESSORIA JURÍDICA LUIZ GAMA, ADUFS, SINTUFS, SINASEFE

*Daniela Bento é Comunicadora Popular do Centro Dom José Brandão de Castro (CDJBC), faz parte da Rede de Comunicadores (as) de Sergipe e do Coletivo de Gênero do MPA

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