Sucatear a DESO para justificar sua privatização é golpe baixo contra o povo sergipano

Foto: Ascom Deso

Por Rubens Marques*

Sem cano, conexão (luva), cola, fita vedante e por aí vai… A falta do material mais elementar para a instalação de um logradouro (instalação do serviço de distribuição de água em uma casa) é uma constante no dia-a-dia dos trabalhadores da Companhia de Saneamento de Sergipe – DESO. A denúncia de sucateamento da empresa pública não é recente, mas merece ser revista no momento em que Sergipe se depara com o risco eminente de privatização.

Há mais de dez anos o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos do Estado de Sergipe (SINDSAN) insiste em denunciar o sucateamento da empresa, cobra mais investimento por parte do Governo para que não haja falta de água, vazamentos, desperdício… Como bem lembrou Sérgio Passos (presidente do SINDSAN), a maior parte da rede de distribuição de água de Sergipe foi construída na década de 80 e até hoje se mantem sem a devida manutenção; sem reformas para o redimensionamento do serviço, pois as cidades sergipanas cresceram muito nos últimos 30 anos.

Ao invés de garantir o material mínimo para os trabalhadores da DESO fazerem seu serviço, o Governo do Estado contratou uma empresa terceirizada para fazer as ligações de água nas residências, aceitando o prazo mínimo de 90 dias, o que não é aceitável para a população que precisa de água. Com a demora, as críticas da população recaem indevidamente sob os servidores da DESO e hoje isto é citado como motivo para vender a empresa.

Revisitar toda a história da DESO é muito importante, para recordarmos do uso político da Companhia de Saneamento que tanto mal lhe trouxe, por isso não aceito as críticas que o governador tem feito à DESO.

Ainda precisamos lembrar que todo alimento que chega à mesa dos sergipanos depende de água para seu cultivo. Se a agricultura familiar sofrer o impacto de aumento de taxas para irrigação da terra, além da água, todos os demais alimentos vão se tornar mais caros. Por isso o alerta de que a água é um bem de primeira necessidade e não deve ser encarada como mercadoria, meramente.

*Rubens Marques é presidente da CUT/SE

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