Tarifa de ônibus e IPTU Aracaju: presentes de fim de ano

Por Paulo Victor Melo*

Essa semana, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Aracaju (Setransp) divulgou em diversos meios de comunicação locais uma notícia sobre atos de violência contra ônibus. Segundo o Setransp, em dez dias 16 veículos foram “alvo de vandalismo”.

A nota oficial do sindicato patronal só engana quem não compreende a disputa de discursos e de poder que envolve o sistema de transporte em Aracaju. O objetivo é publicamente apresentar argumentos que demonstrem uma suposta necessidade de reajuste da tarifa, tanto que o texto do Setransp diz: “essas ações, além de colocarem em risco os usuários e funcionários do transporte coletivo, deixam os veículos inutilizados por alguns dias, lesando a própria população e onerando o custo do serviço de transporte”.

Ao mesmo tempo em que tenta sensibilizar a população para os “problemas” enfrentados pelos empresários do setor, na intimidade o Setransp promove lobby junto à Prefeitura e a vereadores da base governista para “convencê-los” a aprovar o reajuste. Diante disso, desejo estar enganado, mas muito provavelmente a população aracajuana receberá até o final dos trabalhos legislativos na Câmara de Vereadores, essa semana, mais um presente de grego.

Afirmo que “mais um” presente de grego porque a autorização concedida pelo Tribunal de Justiça do reajuste do IPTU em até 30%, decisão também dessa semana, foi mais uma notícia que confirma a pouca preocupação do poder público municipal com os cidadãos e cidadãs da capital sergipana.

Assim, com o provável reajuste da tarifa de ônibus, com o caminho livre para a cobrança de um IPTU desproporcional à realidade da cidade e com outros projetos, como o de autorização para venda de terrenos na Coroa do Meio e o que criou a taxa de iluminação pública, João Alves (DEM) e a sua base de vereadores pavimentam o caminho de transformação de Aracaju em uma cidade-mercado, em que o interesse público é deixado de lado e as pessoas que nela vivem são tratadas como clientes e não cidadãos.

*Por Paulo Victor Melo, jornalista. Artigo publicado originalmente na coluna do Portal Infonet em 18/12/2015

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