A relação no mundo do trabalho tem sido de contradições. Apesar de, hegemonicamente, passarmos de trabalhadores nômades na pré-história para criadores de animais e agricultores; de trabalhadores livres para seres escravizados; transformarmo-nos em mão de obra assalariada; seguimos na história com vários modelos de exploração concomitantes. Afinal, esse movimento do trabalho é dinâmico e dialético.

Ao mesmo tempo em que temos trabalhadores especializados em nano tecnologia, há mulheres escravizadas no Brasil. Ao mesmo tempo em que temos trabalhadores assalariados, há carvoeiros morrendo de fome e de acidentes de trabalho nas fazendas brasileiras. O processo de exploração do capital se realiza nesse movimento de tensão entre o lucro e a sobrevivência do seres vivos. Entre novos e velhos modelos de exploração do trabalho.

Por isso, o capital precisa ser criativo, esperto e inventar mecanismos que convençam as pessoas da necessidade de se adequarem à sua lógica. Afinal o capital é um conjunto de relações sociais, econômicas e políticas que objetiva o lucro. Isso é necessário para sua sobrevivência. Criar mecanismos de exploração e de convencimento para que ele subsista, afinal é preciso explorar o ser humano captando sua subjetividade. É preciso convencer que precisamos trabalhar até morrer em condições precárias, com baixos salários e baixas condições de vida. É preciso convencer que a escravidão no século XXI não é escravidão, é um trabalho necessário para a sobrevivência das empresas, que por sua vez seriam necessárias para a sobrevivência dos trabalhadores e trabalhadoras. Através do discurso de necessidade se explora, se humilha, se empobrece e os seres humanos são destruídos com a natureza.

Haverá planeta para lutarmos dentro desse sistema de exploração? Como entender esse processo de submissão dos trabalhadores e trabalhadoras se somos livres? A escravidão no século XXI é uma história cheia de exageros?

Foi pensando na necessidade de aprofundar esses debates, que o Grupo de estudos e pesquisa sobre trabalho escravo contemporâneo (GETEC) observou a necessidade de criar uma coluna de artigos para interagir com as pessoas sobre as relações e condições de trabalho. Esse grupo é coordenado pela professora Shirley Andrade e todos os meses publicará artigos advindos de reflexões e estudos que vem sendo realizados pelo grupo através de programas de pesquisa no curso de Direito da Universidade Federal de Sergipe, como em interação com outros grupos. Elegemos o nome da coluna como Trabajo porque acreditamos na necessidade do debate do mundo do trabalho transcender às fronteiras brasileiras e uma das melhores maneiras seria pensar a realidade local e latino-americana.

Deixe uma resposta