A Expressão Sergipana conversou com Val Santos, artista popular, cantora e militante do setor de cultura do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Val está lançando uma campanha de financiamento coletivo com o objetivo de bancar a produção do seu primeiro disco. “Ouricuri – Segredos do Sertão” é um projeto de cânticos, melodias e histórias que circundam o universo das manifestações populares de um Brasil profundo.

Val falou da sua história e seu trabalho militante pela cultura popular com suas cantorias Brasil afora. Também nos revelou sobre suas expectativas com o projeto do disco. O viés de escritora da artista não ficou de fora. Val nos contou sobre o seu primeiro livro, “A arte dos Vito: resistência cultural ou compromisso religioso familiar?” e o sonho de lançar um segundo, agora de poesias.

Confira a entrevista na íntegra:

Expressão Sergipana: Como você começou a sua trajetória na música?

Val Santos: Eu cresci no sertão, em Poço Redondo, e comecei a cantar em casa vendo meus irmãos e minha mãe. Depois na escola. Mas só fui cantar com instrumentos e em palco nos encontros e atividades do MST. E daí não parei mais e só aumentei o meu gosto pela cultura popular. Agora sou uma artista popular e sou militante do setor de cultura do MST. Recentemente fiz uma participação na Feira da Reforma Agrária em Maceió e em outubro vai ter também a Feira da Reforma Agrária em Sergipe.

Expressão Sergipana: Você esta lançando uma campanha para arrecadar fundos visando o lançamento do seu primeiro CD. Nos conte um pouco deste projeto.

Val Santos: Nesse CD eu vou cantar o Sertão. Com aboios, xote, baião, coco, excelências, rezas e benditos. Então estarei cantando uma imagem sonora do Sertão. É uma forma de apresentar o Sertão diferente através da música. Lançamos uma a campanha no Cartase de financiamento coletivo para ajudar na arrecadação. Vamos distribuir no WhatsApp, Facebook e e-mail para os amigos. Lá os amigos ajudam comprando o CD antecipadamente. Também pode ser uma contribuição em qualquer valor. Também teremos brindes como camisas, chaveiros e peças em miniaturas de madeira em imburana de cheiro do Mestre Tonho. Estamos fazendo parcerias com os mestres e artesões locais. Esse sonho não é só meu. É um processo coletivo. O que vem do povo tem que ser construído com o povo. Essa é a ideia para que no próximo ano a gente faça o lançamento deste CD.

Com a campanha colaborativa, Val Santos sonha que sua música, de Poço Redondo/SE, circule pelo mundo

Expressão Sergipana: Além da campanha de arrecadação na internet, quais são as demais atividades que você está desenvolvendo para reunir fundos e divulgar o CD?

Val Santos: Faremos também alguns shows de cantoria. O primeiro show será agora em novembro em Poço Redondo. Foi lá onde fiz todas as pesquisas populares das músicas. Onde nasci e me criei. Então é questão de honra a primeira cantoria de pré-lançamento do CD ser lá. As primeiras pessoas a serem apresentadas ao projeto serão as pessoas de Poço Redondo. Foi lá que aprendi com os grandes mestres da cultura popular nos assentamentos e no interior de Poço Redondo esse ofício em minha vida que é cantar.

A segunda cantoria será em Canindé de São Francisco. A próxima em Aracaju. Em outros estados alguns amigos estão juntos nessa campanha, como Pereira da Viola, Chico Batera, Gê Oliveira e muitos outros. Estamos organizando passadas de cantoria em Minas Gerais, Alagoas, Maranhão e vários outros locais.

Expressão Sergipana: Essas cantorias para divulgar o projeto já serão com o repertório do CD?

Val Santos: Não. Ainda não é o repertório do CD. São algumas músicas populares que eu canto, juntamente com algumas músicas de apresentação do CD também. Estamos com o repertório pronto para estas cantorias e estamos aceitando convites.

Expressão Sergipana: Além de cantar você também escreve. O seu livro “A arte dos Vito: resistência cultural ou compromisso religioso familiar?” é um registro histórico fantástico da cultura sergipana. O que te motivou a escrevê-lo?

Val Santos: Sem dúvidas a falta de registro sobre essa família que é tão importante para cultura sergipana. Cresci no meio dos Vito. Desde criança me chamou a atenção o cultivo da diversidade de expressões e vivências artísticas, culturais e religiosa dessa família.

Então o livro é baseado na minha monografia. Eu sempre senti a necessidade de escrever sobre essa família. Embora não seja dos Vito, meus pais moraram em terrenos próximos. Então eu pesquisei muita coisa, vivenciei muitas dessas manifestações. Senti a necessidade em dar minha contrapartida, já que eu canto muitas coisas dos mestres. Acredito que contribuí para a cultura sergipana escrevendo esse livro. Era necessário ter esse registro desta família que contribui tanto para a cultura sergipana material e imaterial.

Livros “A arte dos Vito: resistência cultural ou compromisso religioso familiar?”, de Val Santos

Expressão Sergipana: Você nos conta melhor quem são os Vito? Os personagens principais do seu livro.

Val Santos: Os Vito é uma família tradicional rural sergipana, que tem como sua principal fonte de sobrevivência a agricultura familiar. Residem basicamente em assentamentos da reforma agrária no alto sertão. Eles são conhecidos como promotores de várias manifestações culturais populares.

Os traços marcantes da família Vito são a sensibilidade artística e forte crença religiosa. Em alguns momentos essas duas características se fundem. Se expressam nas cavalhadas, dançam coco, cantam aboios, repentes, tocam pífanos e correm vaquejadas. Em todas estas manifestações, os membros desta família não apenas participam como principais figurantes. O que chama a atenção é que eles são, no sertão sergipano, os principais promotores desses eventos artísticos-culturais e religiosos.

Expressão Sergipana: Coma faz para adquirir o seu livro?

Val Santos: É muito fácil. Só entrar em contato pelo Facebook ou na biblioteca virtual da página do MST. Além de ter na sede da Academia de Letras em Canindé de São Francisco.

Expressão Sergipana: Quais são seus próximos passos?

Val Santos: Além da campanha do meu primeiro CD, será a edição de mais um livro, agora de poesias. E também fazer várias cantorias pelo estado e fora divulgando meu trabalho que é cantar o sertão.

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Comunicador Popular, estudante de Pedagogia na Universidade Federal de Sergipe, apaixonado por Futebol e Política

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