Desde o dia da votação do impeachment em abril deste ano, a câmara federal expôs quem eram nossos deputados e para quê atuam nesta casa, momento o qual causou na sociedade um sentimento de crise de representação frente o nosso sistema político, expondo os “favores” prestados em troca de poder acompanhado pela exaltação à família heteronormativa, oligarquias e até torturador da ditadura. Tantos acontecimentos desde a consumação do Golpe, que não duvidemos que fatos mais perversos possam partir do conluio dessa maioria golpista.

Mais um capítulo do golpe surge envolvendo velhos atores que invocam o machismo e o preconceito em suas declarações, projetos e atitudes. Esta semana foi noticiado na mídia o envolvimento do deputado federal Marco Feliciano do Partido Social-Cristão (PSC) – o qual também é presidente da Igreja Assembleia de Deus Catedral do Avivamento, Conferencista Internacional, escritor e cantor – denunciado por estupro à jornalista do próprio partido.

Esta jovem mulher relatou em um áudio que foi assediada pelo deputado, o qual usou de artifícios e poderes que possui no meio da política para força-la a ter relações com ele, deixando-a de lábios roxos, como a própria jovem relata, ao tentar resistir ao ato. Mesmo assim, ao buscar ser ouvida e tentar solucionar o ocorrido, a jovem relatou ter sido ignorada por membros do PSC. E, após ter feito boletim de ocorrência e ter insistido por uma resposta e retratação do agressor Feliciano, a jovem e sua família foram inúmeras vezes ameaçadas pelo próprio agressor e componentes do partido.

O que esperar de componentes deste partido que cotidianamente fazem declarações homofóbicas e preconceituosas em nome da moral e da família? Esta é a crise de representação pela qual passamos hoje em nossa política, uma confusão ideológica sobre a defesa de um projeto dito “transformador” para o Brasil, mas que faz questão de ferir o Estado Laico ao criminalizar o público LGBT, ao fazer a apologia ao estupro como fez o deputado federal Jair Bolsonaro e ao praticar um assédio seguido de estupro como fez Marco Feliciano, ao querer um país sem corrupção e ter o deputado federal André Moura como substituto e pessoa de confiança para carregar o legado de Eduardo Cunha.

Neste mês de agosto a Lei Maria da Penha completa dez anos de criação, reconhecida internacionalmente como importante ferramenta de proteção à mulher em situação de violência, mas seriamente ameaçada de retrocessos em relação aos seus dispositivos que asseguram efetividade ao atendimento à mulher.

E as ameaças vêm justamente deste governo interino recheado de golpistas, em sua maioria homens brancos e ricos que pretendem, aos poucos, extrair os avanços conquistados pelos movimentos sociais e combater a luta pela igualdade e liberdade tão cara às mulheres. Por isso, muito importante que a nossa sociedade brasileira se questione sobre qual bandeira apostamos na transformação do nosso Brasil e que saibamos reconhecer que por trás de uma capa fantasiosa pode estar a hipocrisia, a violência e a ganância pelo poder.

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